As infecções vaginais estão entre os problemas mais comumente observados nos consultórios médicos. Mesmo assim, algumas vezes, por vergonha ou falta de informação as mulheres não buscam um tratamento específico. É importante estar atenta a alguns cuidados e alterações, já que este tipo de problema pode afetar a saúde em geral.
O médico ginecologista de Erechim, Sérgio Fabris Junior explica que primeiramente é preciso identificar as úlceras que estão localizadas na parte externa da vagina, tais como as úlceras dolorosas (herpes), as indolores que geralmente são indicações da sífilis e as úlceras pouco dolorosas que são oriundas de uma bactéria chamada clamídia.“Esse é o primeiro tipo que geralmente ocorre e é apresentada como uma ulcera genital.O segundo tipo apresenta uma verruga genital que pode ser externa ou interna – no colo do útero ou até mesmo no anus – a qual é causada pelo vírus HPV. Neste cenário, mais de noventa por cento dos casos de verrugas não se associam ao câncer de colo do útero”, comenta.
Já o terceiro tipo de infecção genital, considerado o mais comum, é aquele apresentado por algum tipo de corrimento. Conforme o especialista, neste momento surgem as grandes dúvidas das mulheres que, na maioria das vezes pensam que não devem ter corrimento. “Quase toda mulher tem corrimento e isso não é sinônimo de infecção. Basicamente três tipos de corrimento que conseguimos distinguir, caracterizam os três tipos de infecções mais comuns: o primeiro é aquele espesso, branco – que tem a ver com um fungo chamado Cândida.Este provoca ardência, coceira, irritação e vermelhidão na região genital. É a segunda infecção mais frequente na mulher, sendo a primeira oriunda de um corrimento acinzentado, amarelado, com cheiro forte, que é de uma bactéria denominada Gardnella Vaginallis.O terceiro tipo acontece em maior quantidade, geralmente esverdeado e líquido, é exclusivamente de transmissão sexual”, pontua.
A Cândida e a Garnerella nem sempre estão interligados às doenças sexualmente transmissíveis. A primeira pode estar associada ao mau uso de roupas, ao abafamento exagerado da região genital, pelo uso de produtos sintéticos, de higiene íntima em demasia, roupas muito apertadas e pessoas que trabalham em ambientes muito úmidos e quentes. Além disso, o stress e a ansiedade podem provocar esse tipo de infecção. Outra causa são as águas termais em excesso e o fato de deixar o biquíni molhado, porque a água quente prolifera o fungo. Alguns tipos de antibióticos também podem causar a Cândida.
No segundo tipo, a bactéria vive na vagina normalmente, mas quando há um desiquilíbrio dessa defesa – stress, relação sexual com determinada frequência – podem surgir os problemas.
Orientações
Segundo Fabris, é fundamental que a mulher use o mínimo de roupas possível quando não necessário, por exemplo, na hora de dormir. Além disso, é importante evitar o excesso de produtos com muito perfume e usar com mais frequência lingeries de algodão, além de fazer a higiene adequada.
“As infecções através das úlceras, podem se tornar mais graves e de difícil controle, principalmente a sífilis que caso não tratada, pode atingir inclusive o coração. Portanto, é preciso de um diagnóstico precoce, com exames específicos, conforme a suspeita clínica do médico”, alerta o médico.
Já as outras infecções, se ocorrerem repetidas vezes, podem provocar doenças na região acima da vagina, como por exemplo, no útero, nas trompas e isso pode ocasionar dor, desconforto e dor na relação sexual.
Há também outro tipo de infecção que é mais difícil de diagnosticar, pois se apresenta no colo do útero –cervicite – e uma consequência ruim desta infecção é que pode gerar infertilidade, pois se aloja na trompa da mulher.
O especialista explica cita que a idade mais frequente para ocorrer as infecções é a partir do primeiro ano de relações sexuais. Hoje o comportamento sexual é mais precoce e muitas vezes mal realizado, sem proteção (camisinha). “Independente de ter namorado ou não, deveria se usar o método para evitar muitos tipos de infecção.Na idade entre 14 e 45 anos, as infecções acontecem com mais frequência. No momento em que a mulher chega no período menopáusico e pré-menopausico, muitas delas acabam reduzindo, até mesmo pela mudança hormonal dessas mulheres.Sempre que houver mais de um parceiro e não fizer uso da camisinha, a mulher fica exposta a esses tipos de infecções”, completa.
Tratamento
Cada doença tem o próprio tipo de tratamento, mas na maioria das vezes são utilizados antibióticos.
É importante que o médico analise o corrimento e verifique o tipo da infecção para conduzir o tratamento de forma mais efetiva.
Sensibilidade
Costumeiramente ouvimos o comentário: “A mulher está sempre suscetível a problemas de saúde, pois é mais sensível”. Questionado sobre o assunto, Dr. Fabris comenta que há controvérsias, mas afirma que a mulher geralmente apresenta maior índice de ansiedade, stress no dia a dia. “Na maneira de encarar os problemas, educar o filho, de se preocupar com si e com os outros, geralmente as mulheres tendem a se preocupar mais e isso pode acarretar uma sobrecarga na maioria das mulheres. A partir disso, pode ocorrer desconforto, choro, irritabilidade e isso, a médio e longo prazo, se não tratado, predispõe que as mulheres tenham algumas doenças físicas, como por exemplo, distúrbios do intestino, hemorroidas, problemas de estômago, enxaquecas. Com tais características estuda-se se, esse componente poderia alterar a linhagem de células responsáveis pelas defesas”.