Historiógrafa Concursada
Pesquisadora URI
Membro da Academia Erechinense de Letras
Existem épocas de tanta malignidade que paira sobre nós como que uma massa espessa de hipnose ou de anestesia forte e geral.
Por vezes, somos envoltos por uma incredulidade que nos rouba o chão e nosso lugar em uma realidade até então conhecida.
Nos dois últimos anos inúmeros fatos nos agoniaram sobremaneira.
As perdas de parentes, amigos, conhecidos e desconhecidos, foram assustadoras, causadas por um mal fabricado por algum humano de forma proposital ou não.
Tantas perdas e mortes ocorreram, não só de pessoas, mas igualmente de esperança, de vergonha, de fé no próximo, na justiça e na vitória do BEM!
Meu ser todo está enlutado. A palavra LUTO me transportou até a época “medieval”, de pouca luz, mas de muitos dogmas, quando por ocasião de falecimento de alguém, seus familiares vestiam luto. Ao menos na parte exterior, a mais visível.
Lembrando esse fato, chegou-me à memória a imagem de minhas tias, nonas, mãe ou vizinhas em austeros trajes de luto fechado, pelo menos durante um ano, na passagem de parente próximo. Conforme era o sentimento e mentalidade de cada um, o luto era aliviado aos seis ou oito meses após o acontecido.
Havia então o sopro refrescante e suavizador da presença do branco, no vestir. Minha mãe usava saia preta, blusa branca. Saia preta com bolinhas brancas, afastando dessa forma o vestir rígido do luto.
O tempo passou, a mentalidade foi se alterando e hoje, nos cobrimos no escuro luto, mas na alma, no coração, quando nos atingem brutalmente a inconsciência, a imoralidade. Quando assistimos a falta de memória cívica e moral. Quando percebemos a tragédia maior, aquela que significa que milhares de nós se deixou hipnotizar e aplaude os gritos de alegria oriundos dos presídios. Estarrecidos assistimos bandidos sendo abraçados por autoridades e tantas outras ofensas degradantes contra nossa dignidade e civilidade.
Eu, visto luto e luto contra HEMERA mitológica figura, bela, porém mentirosa, astuciosa, enredando os incautos no caminho do mal. Posso também lutar e continuarei lutando contra amebas humanas que ao modo da PSEUDEIA, a mesma hemera grega, mentem enganam, urdem intrigas. PSEUDEIA era um ser cruel, perigoso, necessitando a ação de heróis ciclopédicos para afastá-los jogando-os no limbo, no nada.
Meu luto e minha luta prosseguirão em defesa da educação, da família; de Deus, quaisquer sejam os nomes que lhe derem; de valores apropriados que nos permitam viver em harmonia na comunidade.
Esses seres contra o qual luto e tantos outros também o fazem, são reais, estão aí derrotando os honestos com suas maquinações escusas, fazendo-nos duvidar que haverá um futuro luminoso para os honrados.
Entretanto, é nosso dever, apesar de nosso desencanto, lutar sempre com honradez e muita fibra semeando searas novas para o amanhã.