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Opinião

De luto, luto contra HEMERA!

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Por Neusa Cidade Garcez
Foto Divulgação

Historiógrafa Concursada

Pesquisadora URI

Membro da Academia Erechinense de Letras

Existem épocas de tanta malignidade que paira sobre nós como que uma massa espessa de hipnose ou de anestesia forte e geral.

Por vezes, somos envoltos por uma incredulidade que nos rouba o chão e nosso lugar em uma   realidade até então conhecida.

Nos dois últimos anos inúmeros fatos nos agoniaram sobremaneira.

As perdas de parentes, amigos, conhecidos e desconhecidos, foram assustadoras, causadas por um mal fabricado por algum humano de forma proposital ou não.

Tantas perdas e mortes ocorreram, não só de pessoas, mas igualmente de esperança, de vergonha, de fé no próximo, na justiça e na vitória do BEM!

Meu ser todo está enlutado. A palavra LUTO me transportou até a época “medieval”, de pouca luz, mas de muitos dogmas, quando por ocasião de falecimento de alguém, seus familiares vestiam luto. Ao menos na parte exterior, a mais visível.

Lembrando esse fato, chegou-me à memória a imagem de minhas tias, nonas, mãe ou vizinhas em austeros trajes de luto fechado, pelo menos durante um ano, na passagem de parente próximo. Conforme era o sentimento e mentalidade de cada um, o luto era aliviado aos seis ou oito meses após o acontecido.

Havia então o sopro refrescante e suavizador da presença do branco, no vestir. Minha mãe usava saia preta, blusa branca. Saia preta com bolinhas brancas, afastando dessa forma o vestir rígido do luto.

O tempo passou, a mentalidade foi se alterando e hoje, nos cobrimos no escuro luto, mas na alma, no coração, quando nos atingem brutalmente a inconsciência, a imoralidade. Quando assistimos a falta de memória cívica e moral. Quando percebemos a tragédia maior, aquela que significa que milhares de nós se deixou hipnotizar e aplaude os gritos de alegria oriundos dos presídios. Estarrecidos assistimos bandidos sendo abraçados por autoridades e tantas outras ofensas degradantes contra nossa dignidade e civilidade.

Eu, visto luto e luto contra HEMERA mitológica figura, bela, porém mentirosa, astuciosa, enredando os incautos no caminho do mal. Posso também lutar e continuarei lutando contra amebas humanas que ao modo da PSEUDEIA, a mesma hemera grega, mentem enganam, urdem intrigas. PSEUDEIA era um ser cruel, perigoso, necessitando a ação de heróis ciclopédicos para afastá-los jogando-os no limbo, no nada.

Meu luto e minha luta prosseguirão em defesa da educação, da família; de Deus, quaisquer sejam os nomes que lhe derem; de valores apropriados que nos permitam viver em harmonia na comunidade.

Esses seres contra o qual luto e tantos outros também o fazem, são reais, estão aí derrotando os honestos com suas maquinações escusas, fazendo-nos duvidar que haverá um futuro luminoso para os honrados.

Entretanto, é nosso dever, apesar de nosso desencanto, lutar sempre com honradez e muita fibra semeando searas novas para o amanhã.

 

 

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