Só o fato de transcrever essa reflexão, esse pensamento em palavras, no jornal, vai dar muito pano pra manga, como se diz. Por quê? Porque vivemos tempos complicados, raivosos, sem nenhum ou pouco equilíbrio, reflexão, por muitos fatores, não é um em específico.
E basta escrever este nome, que logo vou redigir, para a confusão começar. Mas, enfim, vamos lá. Simplesmente não entendo, como cidadão, trabalhador, operário das letras, tudo o que vem se passando neste país, com as leis, mais especificamente, Lula, Moro, e a “Justiça” do país. De certa forma entendo, do meu jeito, e vou lembrar o que escrevi no dia 27/04/2020. Vou deixar entre aspas, já que estou citando o meu próprio texto.
Acrescentando ao texto, aqui vem o que queria destacar, a minha percepção sobre a “Justiça” de Moro. E retificando o que disse ano passado, Moro não saiu fortalecido do governo Bolsonaro, muito pelo contrário, e, agora, está sendo aniquilado pela própria Justiça, literalmente, riscado dos autos.
Voltando ao texto original que escrevi há mais de um ano, eu disse: “não era fã de Moro, na minha visão subiu fazendo a “sua” Justiça, seletiva, mas ainda assim era justa para muita gente. Agora provou da própria “Justiça”, foi convidado a sorver da taça que fez muitos beberem. Ao deixar a toga e viajar para Brasília se tornou também um alvo, e dos grandes”.
Como?
E, aproveito para dizer neste texto novo, o adendo, a minha dúvida de como o “mecanismo” permitiu toda essa lambança processual? Como tudo isso foi tão longe, anos, se havia problemas e ilegalidades? Como a estrutura judiciária permitiu tantos nós e lacunas? Para ter o desfecho que se está vendo, tudo isso é muita irresponsabilidade e desprezo com a população brasileira, porque, no meu entendimento, acredito que se o atual governo federal estivesse “colaborando” mais com a banca, tudo teria continuado igual. E os “erros” processuais continuariam sendo interpretados dentro da “lei”, como vinha sendo.
A minha teoria é simples, no formato conspiratória, a banca quis e permitiu, só isso, com as “mãos” da Justiça. Quem é a banca, não sei, talvez quem manda no país, o restrito grupo econômico que governa o dinheiro do Brasil. E, vou fazer uma digressão aqui, o “sistema da dívida pública” deixa muito claro isso, endividar os estados e o país, deliberadamente, até se tornar impagável. Foi conveniente na época tirar o Lula, para o poder estabelecido, pelo menos fazer vista grossa, é bom variar, mesmo quando se ganhava rios de dinheiro.
Insatisfação
Como não está a contento, a atual gestão federal, se apagou tudo, literalmente, o cara que era tido como corrupto pela lei, um “câncer” a ser extirpado do país, num dia, no outro, ganha novo status, e está apto para concorrer e voltar ao jogo político. Como entender isso?
Antes, corrupto, condenado em duas instâncias processuais, e agora, livre, sem nenhum processo? Como se chegou a isso? Se a banca não queria o cara antes porque o quer neste momento? Todos recursos públicos investidos, tempo, investigações, efeitos processuais nos envolvidos e na economia do país, tudo balela, ilusionismo?
Custos
Segundo o Dieese, a Lava Jato custou 4,4 milhões de empregos e 3,6% do PIB, deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões de impostos e R$ 20,3 bilhões em contribuições sobre a folha, além de ter reduzido a massa salarial do país em R$ 85,8 bilhões. E aí fica simplesmente por isso?
A Justiça foi a marionete da banca que manda, não tem outra explicação plausível, no meu entendimento, por mais absurdo que isso possa parecer. Acha-se um jeito de derrubar e aniquilar um sujeito, não satisfeito com o que está aí, lhe dá novamente a condição de se candidatar ao poder para derrubar o resultado anterior.
A banca não está satisfeita e resolve derrubar um governo, nem que seja necessário passar por cima de tudo, da lei, e o que for, como se fez antes e está fazendo agora. E não estou defendendo um ou outro, mas relatando a absurdidade de toda esta situação.
É preciso ver a política para além da política, porque ela é uma roupagem como a camiseta de um time, ora vermelha, ora azul, verde, branca, o que for e serve para agregar ou desagregar as pessoas, mas principalmente, manipula-las.
E como fica a cabeça, a sanidade mental, a credibilidade das instituições, ou isso não importa? Como fica o entendimento sobre o que é Justiça? É fácil de se saber, só mais uma frustração para colocar no balaio chamado Brasil.
Dívida pública
A sociedade civil precisa começar a discutir sobre a dívida pública da união e dos estados porque esse é um processo de miserabilização da sociedade, e uma conta pesada para todos. Ninguém fica de fora.
Segundo a Auditoria Cidadã, de 1997 a 2019 os estados pagaram para União R$ 357 bilhões de juros e amortizações da dívida pública. Mesmo assim, a dívida subiu de R$ 112 bilhões para R$ 559 bilhões. Ou seja, a dívida foi paga três vezes e seu estoque se multiplicou por 5 vezes.
Para se ter uma ideia, quando o governo federal concedeu a iniciativa privada 28 ativos de infraestrutura, cinco portos, 22 aeroportos e um trecho de ferrovia, essas concessões são válidas por 30 anos, e nessa operação a União arrecadou, ao todo, R$ 3,56 bilhões. Agora, por outro lado, a União gasta mais de R$ 1 trilhão com juros e amortizações todos os anos com a dívida pública.
Quantos investimentos poderiam ser feitos com esses recursos? Quantas estradas, portos, aeroportos, ferrovias, escolas, universidades, tecnologia, serviços poderiam ser investidos? Daria para refazer todo o país de ponta a ponta. Toda a sociedade seria beneficiada.
Sem economia
“O costumeiro discurso oficial de que “a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal implicaria ‘economia’ de tantos bilhões de pagamentos da dívida com a União”, não se confirma na prática. Na verdade, não existe tal “economia”, já que todas as parcelas suspensas ou adiadas terão que ser pagas posteriormente com juros compostos e correção monetária. Além disso, ademais da ilegitimidade de grande parte do valor refinanciado, que incluiu passivo de bancos estaduais, tais dívidas já foram pagas várias vezes, tendo os estados direito a serem ressarcidos do que pagaram a mais”, afirma a Auditoria Cidadã.