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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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Acesso asfáltico

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Tem coisas na vida que fazemos com a melhor das boas intenções. Mesmo assim, o resultado, às vezes, sai completamente diferente do que planejávamos. E são muitas as situações em que isso acontece.

O jovem viúvo

Quando morava em Porto Alegre, conheci um sujeito veterano. Boa vida, amante do futebol, dos copos e… das mulheres. Meu amigo não era má pessoa. A vida sim, lhe deu um duro golpe: Ficou viúvo muito cedo, bem antes dos 30 anos. Acabou se perdendo, tentando se encontrar. Passou a buscar sentido noutras aplicações. Casou novamente, teve duas filhas, mas a segunda esposa não despertava o amor que ele sentia pela primeira. Tornou-se mulherengo. Vivia fora de casa, como se estivesse sempre à procura do seu primeiro amor. Como se fosse possível encontrar nas outras, nos copos, aquilo que o destino lhe tomou. Quem o via de fora, achava aquilo um tanto quanto caricato. Insensíveis, não entendiam que ele estava a procura do inalcançável. Então, era mais fácil chamá-lo de mulherengo do que tentar entendê-lo.

Em busca do sentido

Nesta vida errante, de tanto procurar, meu velho amigo acabou conhecendo alguém por quem seus olhos voltariam a brilhar. Apaixonaram-se. O amor proibido era mais forte. Meu amigo buscou na jovem mulher, não apenas o frescor, a pele tenra, a beleza e o sexo. Eu sei. Ele estava à procura da sua perda. Talvez, a mulher mais parecida com sua amada perdida. Fez tudo o que pode para melhorar a rotina daquela jovem soldada. Ela estudou, cresceu na carreira. Ele, envelheceu. Suas carinhosas mãos enrijeceram. Sofria de gota, que nunca mais brotaram como lágrimas. E sua jovem cortesã foi para outros pagos seguir a vida.

Solidão

Meu amigo nunca se queixava de nada. Para quem havia perdido o grande amor, tudo o que vinha pela frente parecia não lhe atingir. Sujeito gregário e simpático. Vivia rodeado de gente, mas seu coração era duro. De sofrimento. De fora, as pessoas costumavam rotulá-lo de várias coisas. Por manter uma amante, por fazer mau uso do bom salário que recebia, entre outras críticas sociais. Os mais maldosos ainda riam dele, que formou a “amante” e depois ganhou o famoso pé-na-bunda. Mas ele não via assim. Nem ela. Meu amigo não sofria por isso. Sofria pela primeira esposa, seu grande amor. O resto “dava de ombros”.

A estrada

Mas o que tem a ver essa história, com uma estrada? É que meu amigo fez de tudo para abrir os caminhos da amada, da amante. Deu-lhe proteção. Recursos. Partilhou as facilidades adquiridas com a maturidade. Criou condições para que ela fosse livre, bem-sucedida, independente e feliz. Um contrassenso, aos olhos dos outros. Ele “asfaltou” o caminho dela. Ficaram amigos. E ela se foi, sempre grata a ele, que ficou, outra vez, com a saudade. Sem mágoas. Já tinha o suficiente.

Quando vejo a minha querida Entre Rios do Sul, cada vez mais próxima do sonhado acesso asfáltico, me lembro desse amigo. O asfalto aproxima, torna tudo mais fácil. Permite que as oportunidades cheguem, mas não impede que as pessoas deixem o lugar, busquem o progresso fora. Porque não é só de beleza que vive o ser humano. A atratividade envolve muitas outras coisas, que só o asfalto não dá. A estrada, essa tem sempre dois sentidos. Aproxima e separa. Mas ainda não foi dessa vez.

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