14°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite.jpg

A mão de Carlinhos

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Longe do paralelo 30 há quase um ano, sigo acompanhando as notícias, as publicações e as histórias da minha terra. Gosto muito de história, inclusive as que se passaram num tempo em que eu sequer existia. Porém, de alguma forma, determinados acontecimentos parecem fazer parte de mim, talvez por conta do amor às raízes. E navegando nas publicações do Jornal Bom Dia, revisitei uma das histórias mais incríveis que já ouvi – mas não vivi.

Detalhes

Houvesse espaço, o jornal certamente faria uma reprodução das fotografias ao lado da coluna. Mas o que importa são os detalhes. Algumas minúcias que o tempo fez esquecer, daquele acidente aéreo de 1955 que vitimou o filho do Sr. Germano Hoeschler, em Campinas do Sul. Revisitei essa cena nas redes sociais no final de semana que passou. E o que hoje vou contar, talvez os jornais jamais tenham publicado. Detalhes que envolvem personagens ainda vivos, moradores de Erechim. Mas para quem não conhece a história, me presto a contá-la, nos moldes que a oralidade me fez chegar há muitos anos.

Parceiros

Meu avô, Edwino Simon, que foi o segundo presidente do Clube Vasco da Gama, da antiga Vila Vera Cruz, hoje Cruzaltense, era parceiro do Sr. Germano em um negócio de serraria. A madeira era abundante onde hoje temos os campos do Alto Uruguai. Naquele tempo, meu avô e o Sr. Germano eram dos poucos abastados a possuir automóveis. Meu avô ostentava um Chevrolet Boca de Sapo, tipo furgão, importado dos Estados Unidos. Germano tinha um legítimo Jipe. Mas o tal automóvel que apareceu nas fotos era um “auto” de praça. Veio de Erechim trazendo combustível para a aeronave, que precisou fazer um pouso forçado nos campos entre Campinas e Cruzaltense.

A história

Numa manhã de 1955, Germano convidou seu filho Carlinhos para conhecer o avião que havia pousado naquelas bandas. Época em que uma aeronave era coisa de outro mundo, ainda mais numa localidade como a antiga Linha Santa Catarina, onde morou minha família. Temeroso de que algo pudesse acontecer na decolagem, Germano procurou ser prudente. Colocou o filho ainda pequeno no banco detrás do “auto”, que tinha um vidro vigia por onde o menino poderia espreitar a decolagem com segurança. Mas quis o destino que o avião decolasse, desse meia volta e caísse justamente sobre o carro de praça onde estava Carlinhos. Com tanto lugar para cair, acabou colidindo justamente com o refúgio do menino, vitimado no acidente.

As testemunhas

Minha mãe contou-me que um dos meus tios, o mais valente, ficou encarregado de prestar o socorro ao Carlinhos. A bordo do Jipe do Sr. Germano, levou o corpo do menino para o atendimento médico, possivelmente ao Hospital de Campinas do Sul. Ao retornar encontrou a família toda à porta, esperando por notícias da tragédia. Uma curiosidade comum do nosso interior. Mas, não bastasse a comoção, ao descer do Jipe, meu tio se deparou com a bizarra cena da mão do menino, caída por detrás do banco, possivelmente cortada pela hélice da aeronave.

Mas…e daí?

O leitor pode estar se perguntando, por que motivos trago essa história para esta coluna? Eu explico: nossa memória é muito útil para que não caiamos em situações complicadas. Sem grandes inspirações para a coluna, posto que os assuntos que me ligam às origens, ultimamente, não passam de tragédias ou fatos que entristecem a mim e ao leitor, me vi obrigado, como fazem os mais velhos, a recorrer da memória, da repetição. Para os mais jovens, uma dica: há certas coisas que não vale a pena repetir. Em caso de dúvida, é melhor deixar as incertezas virarem passado.

Blog dos Colunistas

Publicidade

Horóscopo

Virgem
23/08 até 22/09
Previsões de 19 de dezembro a 25 de dezembro Sol e...

Ver todos os signos

Publicidade