Ditados
Hoje em dia tudo é muito fácil. A vida está ao alcance das mãos, ou dos dedos. Ah, os dedos, como cantava o Gaúcho da Fronteira. Boa parte do que se procura, buscamos em um só lugar. Mas até chegarmos a este ponto, foi tudo muito diferente. E para facilitar as coisas, há milênios, a sabedoria popular criou os provérbios e os famosos ditos ou ditados populares.
Provérbios
Os provérbios são tão antigos que fazem parte da Bíblia, como na obra de Salomão, filho de Davi, o rei de Israel. Talvez, um truque para ensinar boas maneiras ou mesmo uma forma reduzida para catequizar pessoas. Seja como for, há provérbios excelentes. O primeiro da Bíblia é como uma justificativa do próprio livro dos provérbios: “Eles ajudarão a experimentar a sabedoria e a disciplina; a compreender as palavras que dão entendimento”. São muitos os provérbios. Alguns já parecem estar “fora de moda”, estatisticamente falando, mas outros são atemporais, como este: “O bom senso o guardará e o discernimento o protegerá”.
Ditados
Os ditados, ainda que não sejam ordenados por um rei, não deixam de ter o mesmo papel, naquilo que se conhece por sabedoria popular. Há muitos, que assim como os provérbios, parecem estar fora de moda: “Diga-me com quem andas e te direi quem és”. Nessa onda de universalização das coisas, há quem o ignore sem temor, bom senso ou discernimento. Mas há os ditados atemporais, porque “não existe rosa sem espinhos”. Afinal, “o pior cego é aquele que não quer ver”. E por aí vai. Vem de Portugal a tradição desta cultura popular e os provérbios daqui são os mesmos do Brasil.
Os gestos
Se reparamos bem, Lula e Bolsonaro adotam os mesmos gestos. Enquanto o “genocida” aponta uma arma com o indicador, o “ladrão” ergue o dedo que o caranguejo desdenhou e torce, fazendo um “L”. Um aponta para frente, o outro para cima. São armas, sobretudo. Armas. De longe, acompanho os desdobramentos dessa guerra política que deixa o Brasil em segundo plano. Os discursos vão de desfazendo. As grandes verdades acabam por ser desmascaradas e tudo parece ser mais do mesmo, ressalvadas algumas proporções, fruto do exagero de cada lado. Todo esse ambiente sempre nos convida à revisão dos ditos populares. Com certeza há muitos que poderiam ser aplicados nessa disputa sem fim.
Os gestos
Diante dessa belicosa situação, acabo por lembrar de um ditado que minha mãe dizia: “quem cospe pra cima, na cara lhe cai”. O gesto do “fazueli” tem se mostrado ser uma arma contra o bolsonarismo. O novo governo esquece, que se somados os votos em branco e nulos aos de Bolsonaro, há mais gente do que os que votaram em Lula. Fora os que já se arrependeram. Eis a dificuldade. Como governar contra uma maioria de pessoas? Por essas e outras é que lembro das palavras da minha mãe. O gesto de cuspir é de um tremendo desrespeito, como fez aquele ex-deputado com nome de Jipe. Se cuspir já é desagravo, cuspir pra cima também. Mas agora já foi feito o “L”. A sorte (ou azar) já foi lançada. Se aos candidatos faltou respeito e sabedoria, ao povo faltou discernimento. Durmamos com o que foi cuspido ao alto e protejam suas cabeças. Salvem os provérbios!