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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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Pais e filhos

Por Marcos Vinicius Simon Leite

A proximidade da morte é sempre um tempo de reflexão. E ao que parece, está chegando a minha vez de conviver com um fenômeno normal da existência: a perda dos pais. Mesmo assim, o incrível da vida é que não existe receita, não existe fórmula. E cada pessoa tem seu próprio aprendizado nessas horas derradeiras.

Apagar das luzes

Escrevo isso porque estou longe do meu pai. Outra vez. Um pai que foi silencioso ao longo da vida. Por algum tempo confundi barulho com proximidade. Mas não. São coisas bem diferentes. Longe dele desde janeiro, impedido de dar um abraço, um cheiro, tenho aprendido que mesmo em silêncio, meu pai se manifesta como pode. Ele está fraco. No hospital. Sofre de câncer, diabetes e Parkinson. Mesmo com dificuldades motoras, volta e meia manda um recado inaudível ou simplesmente um “emoji” nas mensagens do grupo da família. É como se dissesse muito, considerando o esforço que faz para dizer: estou vivo! Estou aqui! Seu corpo não reage mais ao pensamento. Mas eu o sinto.

Reprovação

Tratar desses assuntos é sempre delicado. Esses dias vi uma entrevista do Carpinejar. Nela ele contou que nós, filhos, somos quase sempre reprovados neste papel. Não sabemos o nome dos remédios, nos envolvemos em coisas que nos impedem de estar presentes e mesmo assim, em silêncio, os pais percebem e nada cobram. Assim é meu pai. Zero cobranças. Mas esse silêncio dele não esconde o que sente. E lá está, percebendo os movimentos do seu entorno. No meu caso, um entorno bem distante fisicamente. Não posso ter aquela troca de olhar, que diz mais que mil palavras. E o que dói nele, certamente é o que dói em mim.

Esperança

Sou sabedor da finitude da vida e consciente das minhas falhas enquanto filho. Talvez meu pai também tenha falhado em seu papel. Eu também erro com meus filhos.  Isso é da vida. Meu pai não nasceu. Foi despejado. Uma vida que começou forjada pela sobrevivência, algo impensado hoje em dia. Dificuldades, desafios e impedimentos. Falta de oportunidades. Isso tudo fez dele um sujeito quieto, mas muito amoroso. Porém, há limitações de que não se pode impedir: o pensamento. Por isso, mesmo distante, sem poder ajudar em nada, meu pensamento está lá, em silêncio, como as mensagens que ele gostaria de enviar e já não mais consegue. Talvez já estejamos treinando para o próximo momento. Seja como for, esse momento costuma ser mais largo do que nossa garganta. Inexorável. Mesmo assim, é preciso estar preparado e consciente. Força Seu Zé!!! Alegra-te! Mesmo que não estejas à pleno como gostarias, conseguiste a façanha de completar 54 anos de um casamento que, entre outras tantas coisas, me fez aqui estar. Parabéns e obrigado!

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