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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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Sobre virtudes e escravidão

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Muito têm se falado sobre a letra do Hino do Rio Grande. Volta e meia algum ativista avoca o termo escravidão ao momento histórico que maculou o passado gaúcho, fazendo crer que o mesmo é sinônimo de negritude. O fato é que sim, o nosso Estado foi escravagista e ainda há muito racismo. Mas os tempos são outros, ainda que o hino, enquanto símbolo, seja o mesmo. Para um bom entendedor, demonstra ser claramente contra a escravidão.

Reformas

Agora pense bem: de que adiantaria mudar a letra do Hino do Rio Grande? Um corte desses fará com que sejam reparadas e perdoadas as maldades que ocorreram até aqui? E mais, as músicas nativistas que enaltecem o gauchismo serão censuradas ou proibidas de tocar? Ora, sinceramente, não é com barulho que se vence o preconceito. Além disso, é preciso ser inteligente e não restritivo na análise. Qualquer pessoa pode ser escravizada. Branco, preto, índio. Aliás, somos escravos de muita coisa e nem nos damos conta. E porque ficamos “escravos”, reféns? Porque deixamos de ser virtuosos, tal e qual diz o nosso hino. Acabar com isso é voltar no tempo, justo naquele que devemos evitar.

Reforma Tributária

Na semana que passou, escrevi que a reforma tributária seria bem-vinda, não fossem as “segundas intenções”, aquelas que poucos percebem. Como naquela traição da Batalha dos Porongos, em que o exército de lanceiros negros foi dizimado em uma emboscada imperial, em troca da tão sonhada liberdade. Qual a razão? O modelo de negócio da época dependia da escravidão. Não é possível que as pessoas não percebam que a falta de virtude escraviza. Pior ainda são uns e outros que querem acabar com a virtude pensando que com isso se pode acabar com a escravidão. Não é possível que não percebam isso. E se não percebem é porque já estão escravos, nem que seja do pobre sistema de ensino. Veja o que ocorreu com as escolas cívico militares. Ideologias à parte, seria bom que pelo menos mudassem o nome: de militar para disciplinar.

Revolução Farroupilha

Todos sabem que a tal revolução de 1835 tinha como fundamento as questões tributárias. Por conta disso, uma guerra foi travada e muitas vidas se perderam. Era um tempo em que havia a escravidão dos negros nas charqueadas. Raça forte, a única capaz de aguentar as insalubres condições do trabalho daquele tempo. A escravização dos negros criou um fenômeno social que ainda reflete na atualidade. Como um cordão de pobreza, hoje formado por gente de toda cor. Pessoas escravizadas pela repetição de políticos não virtuosos. Por isso, essa ideia de centralizar a arrecadação em Brasília, trará de volta o imperialismo dos séculos passados. Em troca, os parlamentares, eleitos para fiscalizar o governo, trocarão seus votos por emendas. Estamos, portanto, num caminho de escravidão, justo em um governo que trazia esperança de combater as desigualdades e que reconhece - com o mau uso do termo gratidão – o trabalho dos negros que viviam em condições semelhantes às do holocausto judeu por longos séculos.

Até quando

Tudo isso faz parte de um sistema. Um esquema que tem como finalidade enfraquecer a democracia, centralizar o poder – como nas ditaduras – mas com um requinte e uma roupagem de modernidade, com o discurso adesivo e nazista de paz e amor. A oportunidade passou. Quando elegemos governantes não virtuosos, assumimos o risco de nos tornarmos reféns do sistema. Uma nova forma de escravidão. Neste momento, seria importante deixar essas pautas de hino para trás e dar importância ao que pretendem esses novos governantes, eleitos democraticamente e que dizem ter derrotado o fascismo e a antidemocracia, quando o que se vê, é um caminho sem volta aquele tempo que tanto queremos nos ver distantes. Governo não virtuoso, povo sem virtude. Povo sem virtude, acaba por ser escravo.

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