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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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Por hora, duzentas

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Tá errado o título! Diria meu amigo Neivo Zago. Depende, diria o Rodrigo Finardi. Mas certo mesmo é “por ora”, diria a colunista Dad Squarisi. Mas se fosse para ser elegante, o Gilberto Jasper talvez nem escrevesse. E - por ora - digo que esta é uma daquelas colunas em que o colunista parece não dizer nada. Escreve, escreve, como se estivesse a falar sozinho. Um lapso de alma, momento em que o velho ego põe o nariz para fora. Um sinal de soberba, talvez. Fraqueza, certamente. Mas é preciso. Esta é minha ducentésima coluna. A coluna de número duzentos. Mas o que isso quer dizer? Para o leitor, talvez pouco. É o que veremos.

Dez por cento

O nosso editor chefe, Rodrigo Finardi, comemorou recentemente a autoria de sua coluna de número dois mil e quatrocentos.. Uma jornada de muitos anos, de muito trabalho. “Um livro a ser escrito todos os dias”, como sempre diz. Termina um, começa outro. No meu caso, com duas colunas por semana, cheguei a quase dez por cento de um Rodrigo, que a essas horas já deve estar mais avante. Tão longe deve estar o Neivo Zago, cujas horas dedilhadas no teclado já foram até alvo de contagem, ainda que o contador aqui seja eu. São apenas dados. Entendo que só valham para os colunistas. Mesmo assim, comemoro, nem que seja sozinho. É uma marca importante.

Em números

E nesses dois anos em que escrevo para o Bom Dia, 122 colunas foram escritas no Brasil e 78 aqui em Portugal. Já estou mais pra lá do que pra cá, ou seria o contrário? Seja como for, é preciso dizer alguma coisa que preste. Seria bom escolher uma coluna e falar dela. E não seria difícil. Nas redes sociais a mais lida foi “a vez dos idiotas”. Além deles, muita gente inteligente leu, até o dono da farmácia. A outra que fez sucesso foi “A sombra de Stalin”. Mal saberia eu, que pouco tempo depois da publicação, estaria a estudar jornalismo. E a terceira, para mim a melhor de todas, foi “Cristão de m...”.

Cristão de m…

Esta sim, foi uma coluna diferente. Lembro perfeitamente do dia em que escrevi. Foi quase psicografia. Era agosto de 2022 e me preparava para mudar para Portugal. Um domingo frio e cinzento. Estava com meu pai e saí para comprar pão. Aquela cena do morador de rua a arrumar seus poucos pertences com tanto jeito me atraiu com um magnetismo inexplicável. Não poderia passar como tantos, ignorando aquela cena e aquele ser humano. Meu coração se encheu de compaixão, mas ao final da conversa que tive com o morador de rua, entendi que quem mendiga, em verdade, somos nós. Pensamos que somos capazes de ignorar uma cena dessas sem estender a mão.

A nossa mendicância

Enquanto escrevia, pensava. Somos realmente mendigos. Mendigos de barriga cheia. Ficamos à espera de que o Brasil mude, que os tempos melhorem. Plantamos esperando que chova. Tomamos o remédio esperando que a dor passe. Estudamos, não pelo conhecimento, mas para ter um bom emprego, um bom trabalho, concurso público ou algo que nos proteja do desemprego. Vivemos ao contrário, do medo para a vida. Por isso somos uns cristãos de m… e temos de andar de costas para a realidade.

A voz do leitor

Volta e meia algum leitor envia um e-mail, com elogio ou crítica. Não acontece com frequência, mas quando recebemos, damos muita atenção. Leitores como a Dona Marlene, que sempre nos inspira a não ser um colunista ou cristão de m… E como já disse outras vezes, sou grato a este espaço. Através dele pude correr atrás dos sonhos que nem imaginava ter. Desta coluna já nasceu um livro, dois programas de rádio e muita coisa boa. São os frutos dessa árvore chamada Jornal Bom Dia. Muito obrigado!

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