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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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Onde há fumaça…

Por Marcos Vinicius Simon Leite
Foto Rodrigo Finardi

Os provérbios populares guardam sempre um pouco de sabedoria. Assim como a natureza, volta e meia nos dá lá os seus sinais. Humanos que vivem na distração. E hoje, dia em que os americanos comemoram sua independência, o famoso quatro de julho, a fumaça que anda pelos ares já não é mais a do vizinho Canadá. Seriam avisos da natureza? Afinal, onde há fumaça, há fogo.

A independência americana

O dia quatro de julho marca a data em que as treze colônias norte-americanas declararam sua independência da Inglaterra, em 1776. Os Estados Unidos tornaram-se uma das primeiras repúblicas da história, inaugurando a forma como a quase totalidade dos países funcionam politicamente. Foi também um dos primeiros países a adotar uma constituição escrita. Pioneiro em várias ações públicas e sociais, é amado por uns e odiado por outros, especialmente por sua irmã, a Rússia, cujas mãos frias são separadas pelo Estreito de Bering.

A fumaça do Canadá

Entre o Alasca e os Estados Unidos está o Canadá. Um país neutro. De boas, como se diz. Na semana que passou, enfrentou incêndios florestais de grandes proporções, como infelizmente costuma acontecer nos verões do hemisfério norte. É um tipo de desmatamento insano, geralmente ocasionado pela mão humana. Aqui em Portugal, especificamente onde vivo, há um aparato gigantesco de combate ao fogo florestal. A neurose é tamanha que em poucos dias tornar-se-á proibido, inclusive, fazer um churrasquinho ao ar livre. Estaremos lascados. Tudo porque, onde há fumaça, há fogo. Afinal, não seria certo deslocar uma estrutura de combate de incêndio por conta de um mero churrasco.

A distração de Freud

Mas a sociedade anda distraída. Olhos voltados para a tela do telefone. Antes, eram alguns metros até a televisão. Hoje não, bastam alguns centímetros e já andamos como os cavalos de Napoleão, com aquelas viseiras para que não nos distraiamos – da nossa própria distração. Geração Coca Cola, como dizia Renato (ele preferiria não ser mais Russo?): “nos perderemos entre monstros, da nossa própria criação”, numa adaptação do livro “Os quatro gigantes da alma”: amor, ira, dever e medo. E como dizia Freud, a distração é o que faz o homem desistir de pensar o tempo todo em sexo ou em morte, os chamados instintos de “eros” e “tanathos”. E, enquanto andamos distraídos, o “sistema” tenta seu “establishment”, mas como os irmãos andam brigando, a fumaça pode ser outra.

A fumaça dos dinossauros

Reza a História que os dinossauros foram extintos por causa de um meteoro que, ao atingir o planeta, causou um grande incêndio, cobrindo a crosta terrestre de fumaça. Com a falta de sol, o ecossistema colapsou e tivemos uma era de penumbra e morte. A prova recente de que isso é possível, foi que chegou a Portugal, distante quase sete mil quilômetros, a fumaça dos incêndios daquele país. Imagine então, se o ânimo frio dos russos ficar, digamos, mais aquecido? O risco de vivermos uma guerra nuclear nunca esteve tão próximo. Mesmo assim, distraídos ou não, de uma coisa não podemos negar: vivemos perdidos, entre monstros. É um vizinho que bate na mulher, é um bêbado que resolve dirigir, é um tarado que não consegue se controlar. Maldito Freud! Tinha razão. O mundo está cheio de descontrolados, cheio de monstros. Enquanto for só uma fumaça de churrasco estaremos salvos. Mas…e os animais?

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