Exílio
Agora em julho completarei um ano desde que deixei a região e dei início ao meu novo projeto. Em certos momentos, isso me faz lembrar o exílio. Aquele tempo em que os jornalistas, artistas e outros opositores ao regime tinham de deixar o país, ainda que voluntariamente.
O lado ruim
O lado ruim do exílio todo mundo conhece. É uma opção que sempre deixa rastros e marcas. Sobretudo, uma escolha que impõe abdicar até mesmo a própria jornada na pátria mãe. Amigos, familiares, lugares, relações pessoais. Tudo isso fica para trás. Para frente, desafios, inseguranças, adaptação cultural, mas também novas descobertas.
O lado bom
Por outro lado, o exílio impõe uma nova perspectiva. Não somente do país de origem, mas sobretudo da vida de quem passa viver longe dele. E nessa nova “visão”, afloram muitos sentimentos que, no dia-a-dia local passavam desapercebidos. É também um celeiro de oportunidades, por mais que existam muitas dificuldades e diferenças culturais para serem ajustadas e superadas.
Como era
O tempo em que os artistas e jornalistas brasileiros foram exilados, comparando ao contexto atual, é completamente diferente. Naquele tempo as comunicações em nada se aproximavam do que é hoje e o exílio cumpria a infeliz função de castigo. Aliado a isso, eram tempos em que a insegurança na pátria mãe impunha comportamentos mais do que controlados. Mesmo assim, tinha suas vantagens e muitos dos que para o exterior foram, acabaram absorvendo novas culturas e aprendizados. No caso dos músicos, ainda rendeu experiência internacional.
O que resulta
Abstraindo a questão da segurança política que envolveu os exilados brasileiros das décadas de 60 e 70, o exílio é sempre positivo. Quando chegamos, trazemos na bagagem muita esperança. Para quem busca aprender, estudar e se desenvolver, trata-se de uma oportunidade ímpar. O intercâmbio cultural, as novas tendências e as trocas, contribuem sobremaneira no desenvolvimento pessoal. Ouso dizer que certos gênios da música brasileira, como Caetano Veloso, tem muito a agradecer ao exílio. Essa mudança, ainda que forçada, certamente promoveu a criatividade em níveis mais do que elevados.
O meu exílio
Daqui onde estou, acompanho os desdobramentos da minha vida que ficou. Meus pais, irmãos, amigos e o meu país. Dá pena ver que o amor venceu e logo em seguida mostrou a sua verdadeira face. Também, aos poucos a vida de todos vai se transformando, no ritmo natural ao ponto de que nada mais será como antes. Porque a vida é assim, dinâmica. Aqui, do outro lado do oceano, sigo em busca do meu propósito, mas ao contrário de quem me contesta, muito grato pelas oportunidades e um tanto quanto inconformado com algumas notícias que chegam do Brasil.