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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

A entrevista inusitada

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Semana passada o Brasil conheceu mais uma perda. Deixou este plano Rita Lee Jones de Carvalho, a Rainha do Rock, como sempre será lembrada. O acontecimento, de certa forma, me fez imaginar como seria a chegada dela ao “outro lado da vida”. Então resolvi compartilhar.

A chegada

Passados os trâmites burocráticos, vencidos pela Rainha graças à sua biografia e notoriedade, uma multidão de amigos, artistas e admiradores foi ao seu encontro. Rita Lee ostentava lindos cabelos cor-de-rosa. Choque. Fazia lembrar a música. Não fugiu à luta. Em meio à multidão dizia finalmente ter encontrado o sexto sentido. A razão, também já tinha ficado para trás. E não demorou muito para que o ambiente provocasse o maior de todos os encontros. O céu estava em festa.

A entrevista

E foi o que aconteceu. Tão logo chegou, Rita Lee foi ao encontro do grande e inesquecível Jô Soares. As pessoas que lá estavam criaram uma enorme egrégora em torno dos dois. Então, Jô não demorou muito e iniciou a entrevista. Começou perguntando como ela se sentia no paraíso. Rita respondeu que se sentia bem. Estava tranquila e fez o entrevistador lembrar que sua graça fez “um monte de gente feliz”. Reafirmou sua positividade, irreverência e coragem. Sempre à vontade, Rita emendou: “Fiz a minha parte, enquanto todo mundo tentava fazer da Terra um inferno. Remei contra a maré”. Seus lindos olhos brilhavam e Jô Soares não conseguia esconder seu encantamento, como se de uma hora para outra, ela tivesse reencontrado a sua fé.

Sobre os livros

Como em uma entrevista trivial, Jô perguntou à Rainha sobre o que ela pensava a respeito da proibição de determinados livros nas escolas americanas, afirmando que recentemente algumas obras passaram por um processo de censura por conterem conteúdo de natureza sexual. Então, Rita fitou Jô Soares e, com uma expressão marota disse: “São burros esses que proíbem. Tudo o que é proibido aguça a curiosidade. Numa sociedade em que a informação circula em alta velocidade, é como pintar a ovelha negra de branco”. Depois brincou, lembrando: “se fizerem uma passeata mais colorida, eu até entro”.

Arrependimentos

Caminhando para o final, Jô perguntou à Rita Lee se ela teria algum tipo de arrependimento. Rita então parou, pensou e, com tranquilidade respondeu. “Acho que não. Nasci em um tempo em que as mulheres eram subjugadas. O rock foi um meio encontrado para dar vazão à nossa revolta. É claro que muita coisa foi exagerada, mas demos voz às mulheres e aos jovens. Tudo o que fiz, foi sem maldade. Enquanto muitos me julgavam, chocados com minhas atitudes, o mundo ardia em guerras, preconceitos, racismo, xenofobia e muitas outras formas de oprimir o ser humano. Por isso, não me arrependo. Foi bom ser a ovelha negra. Era esta a minha missão”.

De volta à realidade

Já vou avisando que esta estória foi só um devaneio. Não há nada de ocultismo nela. Apenas a ideia de imaginar como seria esse encontro. Rita Lee foi especial. Inteligente, dona de uma voz suave e única, era sutil em suas mensagens e impositiva em suas posturas. Experimentou de tudo na vida. Uma mulher completa. Quebrou paradigmas, exaltou o amor, a poesia e a música. Praticou a arte em diversas formas de expressão. Rita Lee criou seu próprio arquétipo. Foi autêntica e viveu o seu tempo, como dizia: “no ar que eu respiro, eu sinto prazer, de ser quem eu sou, de estar onde estou”. Agora só falta você!

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