A paz e a ordem
Portugal comemora hoje, o aniversário da Revolução dos Cravos, que em 1974, punha fim a um longo período de ditadura. O feriado nacional, conhecido como “dia da liberdade”, contou este ano com a presença de Lula da Silva, mas sua presença não foi tão proveitosa quanto pretendiam os portugueses quando o convidaram.
Democracia
Uma das bandeiras de Lula da Silva quando venceu a eleição, foi declarar que a “democracia vencera”. Essa frase é, ao mesmo tempo, verdadeira e mentirosa. Verdade, porque tudo correu dentro das chamadas “quatro linhas”. Mentira, porque se tivesse perdido, a democracia também seria vencedora. Mérito, portanto, de seu oponente, que a contrário do que muitos pensavam, não deu nenhum golpe. E ao que dizem as imagens recentemente divulgadas, sobre as invasões do oito de janeiro, descritas como “atos antidemocráticos”, pareceu haver uma certa facilitação para que a baderna acontecesse, o que também poderia ser classificado como postura antidemocrática da novíssima equipe de governo, que já perdeu seu primeiro componente para a mentira. Ficou claro também o porquê do “sigilo” das imagens.
Guerra
Dias antes de vir a Portugal, o presidente brasileiro deu declarações acintosas sobre a guerra na Ucrânia. Enquanto esteve na China, o presidente foi, digamos, imprudente e não mediu suas palavras, ou intenções. Acabou por acusar os Estados Unidos, onde recentemente estivera, e a Europa, para onde veio neste 25 de abril, quando disse que ambos alimentavam o conflito. Fora as já conhecidas bravatas, como aquela em que ele disse que “a Ucrânia não podia querer tudo”. Tudo o que? A exemplo de Bolsonaro, quando do início da guerra, procurou defender os interesses comerciais do Brasil, ao ponto de acenar junto aos países nada democráticos, como são a China e a Rússia. Deixou as questões diplomáticas nas mãos do Itamaraty. Por conta disso, Lula da Silva só não passou vergonha no 25 de abril porque é experiente e sabe lidar com as adversidades. Retratou-se, ou remendou-se, mas alimentou o Chega, partido de direita português.
Fátima
No último final de semana, estive pela segunda vez no Santuário de Fátima. Por sorte, pude acompanhar parte da homilia do Bispo, que falava sobre a guerra. Foi filosófica e prática. Disse que a guerra começa quando desorganizamos as coisas. Falou que o conflito ocorre quando não há ordem, quando não nos colocamos à serviço dela, quando mudamos o discurso. O que faz todo o sentido. Desde as coisas mais simples e comezinhas, como arrumar a cama, até mesmo quando governantes criam desordens ou dão ordens equivocadas, como esta do GSI no oito de janeiro. A paz, portanto, não é a ausência de guerra. A paz é sim, a manutenção da ordem. Acerta o presidente português, ao dizer que Portugal pensa diferente do Brasil. Ou seria diferente do nosso presidente?
O presidente português
Para Marcelo Rebelo de Souza, presidente português, a Europa não apoia a guerra, como afirmou Lula da Silva. O que pretende a Europa, é manter a ordem e, que infelizmente, para se manter a ordem, é necessário empregar força, reagir. Dar à Ucrânia, condições de se defender. Em seu discurso, Lula da Silva disse, ainda, conhecer bem o que é invasão e condenou-as. No entanto, não sabemos se ele fala sobre a guerra ou sobre o renascido MST, cujo líder esteve com ele na missão diplomática à China, antes de vir a Portugal. Há muita incoerência no discurso do presidente Lula da Silva. São palavras que não dão ordem às coisas. E se a guerra é falta de ordem, como disse o Bispo em Fátima, é hora de o Brasil estar atento ao que diz o presidente, pois dessa forma, o amor não vencerá o ódio.