Algoritmos da terceira idade
Se tem uma coisa que o tempo não muda, ou muda muito pouco, é a maneira de pensar. A forma como fomos criados, treinados e ensinados. Foi assim quando aprendemos a ler, quando aprendemos a dirigir e tudo mais. Mas o tempo passou e muita coisa mudou, inclusive o jeito de aprender as coisas. E nesses novos tempos, há que se ter muito cuidado com as novas ideias, especialmente pelas pessoas da terceira idade.
Nos primórdios
A faixa da população que está hoje na terceira idade, pertence à geração “baby boomer”. São os nascidos no pós-guerra. Compreendem – não exatamente – quem veio ao mundo entre 1946 e 1964. Logo, são filhos da geração anterior (1928-1945), denominada “silent generation”, ou geração silenciosa. Os baby boomers foram, portanto, educados pela geração silenciosa e pelas que a antecederam (1901-1927). Eram crianças que aprendiam a escrever em pedras, acreditem!
Reprodução ideológica
Ainda que inconsciente, ou meramente repetitiva, a geração do pós-guerra foi fortemente influenciada por uma reprodução ideológica, presente na sociedade do início do século passado. Os conteúdos escolares – para quem frequentava a escola – eram fortemente influenciados pelos padrões da sociedade da época, conforme a obra de Raymond Quivy. Em casa, não era diferente. Assim, a geração que chegava, era educada com os padrões morais da geração anterior. Naquele tempo, por exemplo, alguns valores sociais eram levados muito a sério e outros, que deveriam ser, não eram.
Exemplos do meu avô
Meu pai, um legítimo baby boomer, contava que meu avô, nascido em 1909, era um austero policial civil. Naquele tempo, era comum amarrar e açoitar ladrões de galinha em praça pública, quando presos em flagrante. Roubar, o que quer que fosse, era tido como crime hediondo. Se fosse negro, então, era quase pena de morte. Tudo era exagerado ou desmedido e ainda tem gente que sente saudade disso. Acho até que naquele tempo não existia catequese, mas muitos iam à Igreja para lavar o caráter. Quer outro exemplo? As mulheres. Era comum ver casos de homens com duas famílias, como quem hoje tem dois carros, por exemplo. Felizmente, o tempo passa e as gerações mudam. O mundo melhora, mas certos costumes ideológicos ficam perigosamente arraigados na mente, sejam estes certos ou errados.
Algoritmos
A questão que fica, implica em saber: como os idosos de hoje relacionam a formação ideológica do seu tempo com a informação ideológica que acessam no celular e nas redes sociais. Neste quesito, tenho percebido um certo afunilamento, tendente à uma alienação perigosa. E nisso, os algoritmos são implacáveis. Fazem chegar aos nossos – hoje – “oldie-boomers”, conteúdos capazes de reter por longas horas a atenção dos nossos velhos. Pornografia e ou política, são exemplos do que pode estar passando por trás das telas, não necessariamente ao mesmo tempo. Enquanto isso, observamos essa velha guarda, por aí, com a cabeça baixa, distraída na tecnologia. Pior, olhamos para eles como quando olhamos para as crianças, que enquanto estão conectadas, ficam quietas e não dão trabalho, apenas adoecem, lentamente.