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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

Filho da mãe

Por Marcos Vinicius Simon Leite

No passado, chamar alguém de “filho da mãe” era uma forma politicamente correta de ofender alguém. Mas hoje não. Este bordão foi rebatizado. É o nome do filme (ou seria documentário) que conta a história do ator Paulo Gustavo, falecido em 2021, vítima de Covid. No Brasil tivemos milhares de perdas. Poucas causaram tanta comoção social como a deste talentoso ator. De certa forma, ele personificou o sentimento de perda e só depois de assistir ao filme, pude entender bem as razões.

Sobre o documentário

Recomendo que assistam. Em um só filme, podemos aprender sobre perseverança, foco, superação, família e amor. Muito amor. Amor leve, irreverente. A obra chama atenção pela leveza. De certo que Paulo Gustavo não estava mais vivo quando fizeram o filme. Porém, a sensação que se tem, é de que ele se tornou imortal por sua obra, personalidade e presença. No final da película, quando os produtores teriam a oportunidade de tocar no viés político - e não o fizeram - demonstraram como é possível despoliticar a vida. Afinal, a genialidade do ator não poderia ficar vinculada a algo tão mesquinho como a politicagem brasileira.

Sobre política

Disse há algumas colunas atrás que não falaria mais sobre política, ainda que seja o assunto mais importante na atualidade brasileira e mundial. Se falasse, estaria sendo contraditório ao que elogiei do filme. E como não posso cair nessa tentação, por mais que tenha muita coisa para ser dita, vou dar apenas uma passadinha. A política hoje em dia se resume a uma coisa: se você olha para a esquerda, no sentido literal, te chamam disso e daquilo. Se olhas para direita, te chamam das mesmas coisas. É preciso andar para frente, mas esses extremos vivem nos puxando para os lados, como os assíduos fofoqueiros de igreja. Os extremos parecem ter se tornado a mesma coisa. Só trocam os bordões.

É hora de acordar

Ainda assim, fico pasmo em ver como tem gente que acredita em quem se veste de “papai noel”. O brasileiro, em suma, parece ter uma anomalia fenótipa: a mania de querer sempre ser agradado, de levar alguma vantagem. A perda de Paulo Gustavo foi gigante para o humor brasileiro. Humor leve, verdadeiro, de que tanto precisamos. O filme sobre sua vida soube abordar as verdades de frente, sem máculas, sem que para isso tivesse que agradar ou desagradar políticos, os verdadeiros filhos da mãe, como se dizia antigamente.

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