Mulheres de Erechim
Há duas semanas, tivemos a passagem do Dia Internacional da Mulher. Na ocasião, escrevi algo que gerou uma certa polêmica. Ao menos para algumas leitoras. Na coluna fiz referência àquelas mulheres comuns, que com amor cuidam da casa, dos filhos e que, por serem poucas, merecem respeito e admiração, como qualquer minoria. No entanto, a reflexão parece ter levado a outros rumos.
Críticas
Não é sempre que recebemos retorno daquilo que escrevemos. Isso acontece quando somos ousados (e corremos o risco de sermos criticados) ou quando conseguimos traduzir em palavras, o que o coração mais clama, com a coluna do dia anterior, sete de março. Tudo depende. Mas o meu propósito, enquanto colunista de opinião, é despertar o leitor para o debate, para o pensamento ampliado. Por isso, naquele dia das mulheres, busquei homenagear as mulheres comuns, que a meu ver, parecem esquecidas pelos movimentos, como se suas escolhas pessoais fossem contrárias ao movimento feminista.
Perdão
Mas passou. Procurei me retratar com quem se sentiu ofendido. Por isso hoje, aproveito este espaço para me retratar com aquelas mulheres que também se sentiram ofendidas, mas que não tiveram a mesma valentia das feministas. Confesso que a coluna tinha lá um ar provocativo. Mas de toda forma, lamento se, eventualmente, a interpretação possa ter sido feita sem isenção. De toda sorte, àquelas que por ventura não compreenderam o sentido, meu duplo pedido de desculpas. Primeiro, por escrever mal, ao ponto de não ter me feito entender, e segundo, pela competência residual ao primeiro. Afinal, defender uma minoria não significa atacar a maioria.
Mudando de assunto
Foi numa trivial ida ao supermercado, na primeira semana de março. Observei uma mulher, que acompanhada de seu filho, parecia em dúvida. Queria ela saber, se o Maré Viva seria um bom vinho, como o premiado Soliman da região. Em meio à imensa prateleira, comum nos mercados portugueses, aquele era curiosamente o vinho que tinha experimentado dias antes. Seria coincidência? Mesmo sabendo que gosto não se discute, fui ousado e entrei na conversa. Disse àquela senhora que era “um bom exemplar”. Bastou me pronunciar que o encontro de sotaques nos denunciou. Sou de Erechim, disse ela! Eu também! Sou colunista do Bom Dia…E foi assim que eu conheci a Dona Cle, a mãe do Luan, mestrando em Engenharia. Me vi como naquele dia em que conheci o Barbeiro de Sevilha (coluna de 10-01-2023).
O terço de Marlene
O terço já foi assunto de uma coluna (29-11-2022). Marlene é uma assídua leitora (raiz) deste jornal. Dessas que vai à banca buscar. Quando eu ainda estava no Brasil, volta e meia conversávamos ao telefone. Em novembro passado, estive em Fátima e lá cumpri minha promessa à nobre leitora. Faltava a entrega, que se tornou um problema, de ansiedade minha. Não consigo fazer o terço chegar às mãos prometidas. Portanto, se alguém puder avisar a Marlene, que por favor o faça! Como no tempo antigo, quando os jornais também serviam para dar recados.
Jornal Digital
No jornalismo de Portugal, o que mais se discute é: quando o jornal impresso vai acabar? Eis uma pergunta que vale algum dinheiro e que tanto assusta quem gosta de sujar os dedos com coisas boas. Lembro da minha primeira coluna escrita aqui neste espaço. Nela dizia que, enquanto o “meio digital” é pouco preocupado com a verdade, os jornais são os seus guardiões. Enfim, fico a pensar o quanto sou grato a este espaço e tudo de bom que ele proporciona. Por isso, se algum leitor se sentir ofendido, que se apresente, seja como for. Não há nada pior do que não dialogar. E o jornal também serve para isso, para tornar a vida mais ativa, para discutir, convergir e divergir. Mas entre o papel e o digital, fico com os dois. O digital alcança mais pessoas, mas só o papel alcança quem precisa.
A propósito: o “terço de Marlene” está a sua espera, na charmosa Livraria Agridoce.