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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

Histórias lindas de morrer

Por Marcos Vinicius Simon Leite

"Não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana".

Esta frase é de Teillard de Chardin, um padre francês, que nos anos 50 buscou através de seus estudos, aproximar duas valências aparentemente antagônicas: a ciência e o sagrado. Tudo isso em um tempo em que a censura era o ponto forte nas culturas religiosas. Mas o que hoje trago aos leitores, são as impressões sobre um livro, homônimo ao título desta coluna, escrito pela médica Ana Cláudia Quintana Arantes.

Os pressupostos de Chardin

O que Chardin afirma, também vemos na Bíblia. Em Eclesiastes 12:7 temos: “o pó volte à terra, de onde veio, e o espírito volte a Deus, que o deu” e, em Gênesis 3:19 temos: “Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó, e ao pó voltará". Até aqui tudo bem, mas essa tal conversão em pó é que são elas, como se diz. Para Chardin, viemos do espírito e, ao espírito, voltaremos.

Os livros

Então, se adotarmos os pressupostos bíblicos, religiosos e espirituais, significa que em um determinado momento teremos de estar preparados. É justamente aí que entra o livro da médica geriatra, especializada em cuidados paliativos, Ana Cláudia Quintana Arantes, que antes havia escrito a obra: “A morte é um dia que vale a pena viver”. Em um conjunto de histórias, muito bem contadas, a autora apresenta o que podemos dizer de “o lado lindo da morte”. E sim, ele existe.

Cuidados paliativos

Para Ana Cláudia os cuidados paliativos pertencem à uma área da saúde voltada ao atendimento de pacientes que possuem doenças graves, incuráveis e que se encontram à beira da morte. Para ela, este ramo da Medicina cuida de pacientes que apresentam sofrimentos que vão muito além da dor física, vez que os cuidados envolvem também a dimensão emocional, social, familiar e a espiritual. Diante da inexorável chegada da morte, o foco da especialidade não é mais a cura, mas sim o cuidado, o preparo.

Experiências compartilhadas

Na obra a autora conta, inclusive, detalhes sobre a perda de seus pais. O livro, envolvente, é recheado de histórias de pessoas comuns, que de uma hora para outra se viram diante do inesperado momento de morrer. No prólogo, há uma parte que merece destaque, em que pese ser repleta de belezas retiradas deste momento tão, digamos, esquisito de nossa jornada. Ela diz: “Uma vida que está se encerrando guarda um poder imenso de transformar outras vidas ao redor, com um toque de amor e generosidade que, para muitos, só será uma experiência possível no tempo de morrer”.

Para onde vamos?

Se somos espírito ou se somos humanos, neste momento, para muitos, talvez não importe. Porém, compreender a nossa finitude e preparar nossos corações para viver este momento inexorável, isso sim é possível e a obra de Ana Claudia Arantes revela o lado lindo da morte, o que até pode parecer extremamente estranho, mas não é.

Esta coluna também se inspirou na história de um ser humano especial, profissional brilhante, mulher admirável, que tem como propósito, ajudar as pessoas em todas as etapas da vida, para que todos possam viver com alegria todo o tempo da jornada. Felicidades Carina Balvedi!

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