O que restou das mulheres
Hoje deveríamos celebrar o Dia Internacional da Mulher. Uma data importante para refletir sobre a diferença entre os gêneros naturais: o masculino e o feminino. No contexto histórico, há também muitas origens a reivindicar a data em que se começou a celebrar o oito de março. Da mesma forma, há que se reconhecer as inúmeras transformações pelas quais o gênero feminino passou neste último século.
As origens
A data oficial, para a ONU, teve início em 1975. Mas há quem conte que tudo começou nos primórdios do século passado, quando as mulheres passaram a se organizar e exigir direitos simples, como o voto. No Brasil, por exemplo, as mulheres só alcançaram as urnas em 1932, pelas mãos do ditador Getúlio Vargas. Lá no outro lado do planeta, há quem diga que o movimento feminista ajudou a Revolução Russa de 1917.
As metamorfoses
Nos últimos cem anos, a luta constante por igualdade também promoveu e provocou muitas transformações naquilo que conhecemos por “feminino”. A começar pela década de 60, quando do advento da pílula anticoncepcional. Depois disso, muitas outras derivações do gênero têm aparecido. A luta parece ter sido tão importante e exaustiva que acabou por desvendar quão amplo pode ser o universo feminino. Se ser homem é simples definir, ser “mulher” é cada vez mais difícil e complexo, o que prova a grandeza deste gênero.
Derivações
Todo movimento contrário, para que dê certo, precisa de força. Porém, há sempre um ponto de ruptura, um momento em que a força empregada acaba por romper barreiras. Esta me parece ser uma questão importante a ser pensada. O que pretendem, afinal, os movimentos feministas da pós-modernidade? Não raro, surgem e reaparecem temas diretamente relacionados ao ambiente feminino, tais como aborto, sexualidade, transexualidade, empoderamento e, até mesmo, certos modismos, sejam estes passageiros ou não. Aquela mulher, do século passado, parece ter sido finalmente esquecida.
Conceito de mulher
Por isso, diante das inovações da pós-modernidade, ponho-me a pensar se o conceito de “mulher” permanece o mesmo de cem anos atrás. As abortistas, por exemplo, alegam ser donas do seu corpo e parecem esquecer a magnitude do dom da gestação. As mais sexualizadas parecem enaltecer a questão do corpo, muito embora lutem para não serem tratadas como objeto. Outras, que não se identificam com o universo feminino, reconhecem-se como masculinas, ou outras formas não bem definíveis. A liberdade e o tempo talvez sejam o melhor remédio. Então, sem querer simplificar algo tão complexo, parecem restar poucas mulheres à moda antiga. Dessas que namoram, estudam, se casam e desejam ter filhos.
Daqui em diante
Entendo que o movimento feminista, ou feminino, em essência, mereça todo respeito e reconhecimento. As conquistas foram muito positivas até aqui, mas do fundo do coração, me entristece ver que as exceções parecem estar sufocando a regra. O que será da humanidade se a mulher - em essência - deixar de existir? Não há inteligência artificial, aplicativo, modismo ou qualquer outra coisa que substitua uma mulher de verdade, uma mãe e uma avó. Enfim, sem querer ser um retrógrado, concluo que nunca foi tão importante homenagear os exemplares que insistem em manter a divina natureza. Já foram muitas. Parecem poucas. Eis a razão da importância de não serem esquecidas.