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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

A história de Tico – Parte I

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Como gosto muito dos meus leitores, inclusive os que não conheço, resolvi dar-lhes um presente. Em verdade, uma pequena folga. Vou compartilhar este espaço com meu colega Gilberto Correia, poeta, jornalista e professor no Estado do Tocantins. Nas suas andanças por Portugal e Espanha, deparou-se com uma inspiradora história. Eis então o presente que divido com os leitores. Serão duas colunas, uma hoje e outra amanhã. Boa leitura!

A vida de Tico

Tico vivia intocável, inabalável em seu cercado, rodeado de fêmeas, em verdadeira relação poligâmica. Ninguém o confrontava. Como um autêntico sultão, carregado de poder, ditava as regras e determinava as direções. Sempre que ia ao campo, para passear, observar a natureza ou mesmo para se alimentar, era ele quem conduzia a caravana. Vivia em um amplo terreno e podia fartar-se por longas horas durante o dia. Nada fugia de seu controle. Quem ousasse desviar ou desgarrar, era imediatamente pressionado por ele, sempre vigilante e atento ao que julgava ser seu. Desde os três meses de idade, Tico habituou-se em conviver com o gênero feminino, o que de certa forma forjou sua identidade. E pasmem, mais do que isso, formou também uma identificação. Quer por força ou opressão, acabava por ser correspondido.

Primeiras impressões

Conheci Tico em uma tarde de outono. Confesso que desde o início tivemos uma relação complicada. Era arredio e não aceitava minhas orientações. Por ter de tomar conta daquele ambiente era necessário impor algumas regras. Era justamente aí que o intransigente Tico dificultava a minha lida. Como um adolescente, desses que se criam soltos, não topava com a minha presença e invariavelmente andávamos às turras.

Como todo ser teimoso, Tico era fechado, nada afeito ao diálogo. Ignorava todos os meus argumentos. Então, movido por uma enorme teimosia, talvez também por sentir-se ameaçado, com medo de perder o controle da situação, passou à confrontar-me. Não chegamos às vias de fato, mas o respeito estava sempre em risco. Ainda que alguma coisa saísse fora do controle, Tico, sentindo-se o verdadeiro e único comandante, tratava logo de proteger as suas donzelas. Olháva-me como um inimigo, como se eu fosse lhe roubar o harém.

Entendendo o Tico

Os dias foram passando, sempre com a impoluta e forte presença de Tico, que pelo gênio difícil, sempre arengava com alguém. A vida não era tranquila diante da sua presença, mas nada que não pudesse ser evitado ou apartado, para o bem comum da comunidade. Seu temperamento ácido não permitia tempos de paz. Eram pequenas tréguas, somente, rapidamente quebradas pela insensatez e arrogância, como se fossem carapaças a esconder sua insegurança. Tico me desafiava o intelecto. Até quando estávamos longe um do outro, roubava meus pensamentos. Cheguei a imaginar que Tico pudesse ter sofrido algum trauma na infância, ou que pudesse existir alguma dúvida quanto às suas escolhas de vida.

O apogeu de Tico

O clima estava agradável e Tico se sentia cada vez mais dono de si. Para sua sorte e deleite, seu harém aumentara de tamanho. Tornou-se soberbo. Sentia-se o todo poderoso. Nada o ameaçava, talvez nem mesmo a minha necessária presença. Aos poucos, até eu me adaptara à excentricidade de seu gênero. Mas quando alguém se atrevia a chegar perto das suas fêmeas, Tico tratava logo de pôr para correr.

Amanhã tem mais

Infelizmente o espaço é curto. Mas na coluna de amanhã, vamos contar o final da história de Tico. Detalhes de sua vida em meio ao sexo oposto, seu caráter, suas escolhas e o desfecho inesperado de sua vida. Não perca o final desta encantadora e verídica história! Até amanhã!

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