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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

A verdade de Belchior

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Para o filósofo prussiano Friedrich Nietzsche, a vida, sem a música, seria um erro. E não é preciso concordar. Justo porque me parece ser uma grande verdade. A música, enquanto gênero da arte, além de harmonizar a vida, regular nossas vibrações, é também um excelente meio de comunicação. Aproveitando a verdade de Nietzsche, trago hoje um pouco do legado musical de Belchior.

Inconformismo

Assim como eu, Belchior foi um inconformado. Porém, um artista muito completo. Até mesmo a sua voz – incomum - era capaz de tocar os corações. Muito mais do que a sonoridade, suas letras tinham algo de Nietzsche. Talvez um certo “toque filosofal”, mas suficiente para que pudéssemos parar e refletir, algo tão incomum ultimamente. Ouso dizer que Belchior é o que restou de nós, quando tentamos nos desvencilhar desse mundo dualista e polarizado em que insistem em nos manter dentro.

Bons exemplos

Os bons exemplos merecem ser lembrados. Foi o que fez o canal “Epifania Experiência”, do Youtube. Num conteúdo intitulado “8 Frases de Belchior para mudar a sua vida”, conseguiu sintetizar boa parte do que estou aqui a dizer. Recomendo que assistam. E claro, não vou reproduzir algo que você mesmo pode assistir, de graça, a partir do seu telefone. Mas sim, vou aproveitar algumas frases de Belchior, dessas que fazem a gente pensar.

Entre uns e outros

Na música “Dandy”, Belchior canta: “Mamãe quando eu crescer, eu quero ser um grande milionário socialista. De carrão chego mais rápido à revolução”. Gravada em 1987, retrata bem a chamada esquerda caviar brasileira. Seja como for, Belchior sempre foi um crítico dos extremos. Morrer só, longe de tudo, foi sua opção. Íntegro, parece ter assistido as multidões penderem politicamente de um lado para o outro. Desde a gênese da Constituinte (1987), até os dias atuais, o Brasil tem vivido esse eterno desequilíbrio, para deleite de quem fez o ‘éle’ ou mesmo vestiu verde amarelo.

Falar de Política

Na música “Apenas um Rapaz Latino Americano”, Belchior diz que: “sons, palavras, são como navalhas e que não se pode cantar como convém, sem querer ferir ninguém”. E neste momento, onde as pessoas mais precisariam discutir política, sem defender partidos ou ter que adotar um herói para combater outro, o que nos resta é a grande oportunidade do silêncio. Hora de calar e apenas observar. Deixar de querer formar a opinião de quem não pensa. É hora de dar vez aos incapazes, pois nem de idiotas é mais permitido chamá-los. Justo aqueles que conduzem a catarse social em que o Brasil se encontra.

Elevando o nível

E para encerrar meus comentários sobre política, seria bom dizer que escrever sobre ela, ao mesmo tempo em que foi prazeroso, me aborreceu. Justamente por não ver sinais de melhora. Só um bla-bla-blá sem fim. Por isso, hoje me despeço deste tema. Vou dar um tempo. Um bom tempo. É hora de aproveitar a sapiência de Belchior e me aprofundar em assuntos que façam bem as pessoas, já que a política, neste momento, contraria sua essência. Por isso, encerro minhas colunas sobre política com uma pérola de Belchior: “Não quero o que a cabeça pensa, eu quero o que a alma deseja”.

 

 

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