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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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Eutanásia

Por Marcos Vinicius Simon Leite

A semana que passou, marcou a discussão parlamentar da eutanásia em Portugal. Enquanto outros países europeus já avançaram no tema, legislando, Portugal decidiu retirar o véu que cobre este viés, não somente da vida humana, como da medicina e dos direitos individuais. Em meio à copa do mundo, este foi o tema que permeou a agenda legislativa dos nossos patrícios. Que é a favor e quem é contra?

Debates universitários

No mestrado em jornalismo, o tema foi colocado pelo professor de Teoria da Argumentação. Em dois grupos, alunos tinham de argumentar, a favor e contra. Infelizmente, caí no grupo favorável. Mas isso me ajudou a evoluir e entender. Foi necessário romper a inércia cultural e espiritual, até que pudesse finalmente desenvolver argumentos técnicos e, porque não, democráticos. Afinal, todo bom cristão deve pensar no próximo. Além disso, a minha vontade não precisa ser igual a dos outros. Restou que meu grupo, formado por uma maioria contrária ao tema apresentasse bons argumentos em favor da eutanásia.

Os contra

Enquanto o grupo contrário preocupou-se no sentido de que a legalização da eutanásia pode representar uma forma de suicídio legal, argumentaram também que o direito à vida é um princípio fundamental, do qual ninguém discorda. Aí podem ter cometido um erro grotesco. Eutanásia não é suicídio. Isso porque, quem tira a própria vida, geralmente tem muita vida pela frente. Já quem está à beira da morte, sofrendo, não tem a mesma perspectiva como a de alguém que vem ao mundo, exceto em alguns complicados nascimentos. São vetores absolutamente contrários e merecem ser sopesados. Outros vieses, como o a abolição da pena de morte, também foram arguidos, assim como o princípio do deslize, no qual quem decide errado não pode se arrepender. Outro argumento, de que a profissão médica corre o risco de ferir a ética firmaram o entendimento da turma contrária.

Os favoráveis (na argumentação)

O grupo que argumentou em favor da eutanásia apresentou ideias no sentido de haver, antes de tudo, o direito à liberdade de escolha. Passamos a vida toda decidindo entre A e B. O propósito do procedimento acaba por ser evitar o sofrimento, teoricamente desnecessário. Ninguém escolhe a eutanásia porque não gosta da vida. Apenas o que se quer, é não sofrer demasiadamente quando a medicina desacredita a recuperação do paciente. Manter artificialmente uma pessoa viva e que, declaradamente e conscientemente escolheu não passar por este sacrifício, em muito pode se assemelhar à tortura. Todos ao redor sofrem. Tornar a eutanásia um direito não cria, nem para quem sofre, tampouco para o Estado, uma obrigação. É só uma opção. Por fim, argumentou-se que a vida constitui-se em um dos elementos essenciais da liberdade individual.

Para quem serve a eutanásia?

Eutanásia é para quem não tem dúvidas. O simples debate acadêmico, muito mais polido que o da Assembleia da República Portuguesa, acabou por evidenciar algumas lacunas do arcabouço social. O primeiro deles, diz respeito à espiritualidade. O grupo favorável, composto basicamente por jovens, pareceu muito mais disposto em abolir a religiosidade do debate do que propriamente defender seu posicionamento contra a eutanásia. Já o grupo favorável, composto por pessoas mais experientes, procurou argumentar que a religiosidade é fator fundamental para amparar estes estados de dúvida. Uma pessoa espiritualizada tende a entender e aceitar melhor as vicissitudes da vida. A juventude, acostumada ao conforto, parece preferir perder um debate do que admitir que há algo maior do que a simples existência humana. Eis um bom tema para pensar: o direito individual deve submeter-se ao crivo coletivo? A religiosidade é tábua de salvação ou de condenação ao sofrimento?

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