Salve a pílula
De todas as descobertas científicas, nenhuma mudou tanto os rumos da humanidade quanto a pílula anticoncepcional. Depois que as mulheres descobriram que podiam ser bem mais do que meras procriadoras, tudo foi transformado. Famílias, que antes tinham cinco, sete, oito filhos, passaram a ter dois, no máximo três. Há 20 anos a média não supera mais do que dois filhos por casal. Aguardemos o censo!
Geração Anos 70
As gerações nascidas a partir dos anos 70 podem se considerar desejadas. São os filhos que nasceram em um novo padrão de reprodução. Teoricamente teriam recebido mais amor do que as gerações passadas, quando os filhos eram uma consequência do casamento e não podiam ser planejados. Por esta razão, nasceram em bem menos quantidade do que as gerações do pós guerra. Hoje, estão próximos da terceira idade, com seus cinquenta anos. Por terem sido mais “amados”, a tendência de que possam retribuir esse amor, pela lógica, é maior. Na prática, como saber? E quando estiverem com 70, 80 anos, como será?
Gerações do pós guerra
A geração do pós guerra foi aquela nascida depois da década de 40. Eram muitos, pois são filhos de um tempo em que não havia planejamento familiar. Representam hoje boa parte do contingente de idosos do planeta. A seu favor, contaram com os inúmeros avanços da medicina. Quando nasceram a expectativa era de que vivessem até os cinquenta e poucos anos. Hoje, a realidade é outra e vivem cada vez mais. Com ou sem qualidade, estão vivos e muitos precisam de cuidados, mesmo com 70, 80 anos ou mais.
Matemática desigual
A lógica da pirâmide invertida, aquela em que o número de idosos tende a ser maior que o número de não idosos parece realmente ter vindo para ficar. A medida que as pessoas vão morrendo cada vez mais tarde, os casais têm cada vez menos filhos. É uma proporção preocupante e inversamente proporcional. Se houve falar, mas não se vê atitude. Justamente porque o assunto é complexo. A medicina, por sua vez, tem contribuído positivamente para que as pessoas vivam mais. Com efeito, o futuro nos reserva mais idosos e menos jovens, até que os padrões reprodutivos sejam restabelecidos, o que não está em pauta.
Controle de natalidade
O aumento exponencial da população é realmente um problema. O demógrafo inglês, Thomas Malthus, já dizia isso no começo de 1800. Não haveria comida para alimentar a todos, se a humanidade permanecesse a se multiplicar de forma desordenada. Morreriam de fome. Porém, acredito que os idealizadores do controle de natalidade não imaginariam que boa parte dos idosos do futuro estariam desamparados, em risco, matematicamente falando. Não estava escrito na bula dos estrogênios combinados com progesteronas, vulgo pílula.
Um novo tempo
É hora de pensar nos idosos. É hora de planejar o final da vida. Com as modernas estruturas familiares, faltarão pessoas para cuidar dos pais, tios e avós. Uma pessoa que deixa o trabalho para se dedicar a um idoso, senil ou demente, cria um novo problema. De que viverão esses dois? Transferir a responsabilidade para o Estado ou mesmo para um lar de idosos é uma triste realidade e tende a ser cada vez mais frequente. Se antes corria-se o risco de não haver comida, os velhos do futuro correm o risco de não terem lar no final de suas vidas. Podem até acumular recursos, ter uma boa casa, mas precisarão sempre de alguém para os cuidar. Quem? Não há assistente virtual para isso. Se assim já o é em famílias estáveis, o que diremos em famílias pobres? Que se danem? Há muito para a humanidade evoluir. É preciso começar a se preocupar com a própria espécie.