Pobre General
No início do ano, escrevi uma coluna em que afirmava quão curto seria o 2022. Pois bem, chegou a Copa do Mundo e agora estamos só pelo Natal. O fim se aproxima. Pronto, acabou. Por mais que não seja hora de retrospectiva, foi um ano estranho. Tão esquisito quanto os OVNI que apareceram no céu do Rio Grande. Para quem acredita ou não, lhes digo: eles se foram. Saíram rindo de nós.
SOS General
Circula pelas redes sociais um vídeo, de uma manifestação pacífica, ocorrida em frente à Igreja das Dores, em Porto Alegre. Nela, um círculo de pessoas, com celulares e leds postados sobre as cabeças, lançam aos céus pedidos de socorro. Sinais de luz. Os mais debochados diriam que os manifestantes, vestindo as cores da Seleção, estariam pedindo socorro aos extraterrestres. Os mais sérios, contudo, justificaram ser um pedido de socorro ao General da 3ª Região Militar. Inconformados com as urnas, como a quase maioria dos brasileiros. Quase.
Senso do ridículo
Seja o que for, a cena é patética. Por mais que os manifestantes estejam eivados de boas pretensões, de bons valores, para tudo existe um limite, nem que seja moral. As luzes, ao que parecem, não são as “do fim do túnel”, onde há esperança. Estão mais para “o fundo do poço”, de onde só resta um sentido: voltar, buscar a luz. De longe, onde estou, essas infantilidades fazem do Brasil motivo de chacota e piada, até mesmo entre brasileiros. Sei que é errado julgar, é errado até interpretar. Confesso que preciso evoluir também neste sentido. Mas é difícil.
Razões
Mas há sim, relevância e importância neste gesto. É preciso sim pedir socorro. Não como discurso político, infelizmente. Mas é preciso pedir socorro pelos desempregados. É preciso pedir socorro pelos doentes. É preciso pedir socorro para as famílias que possuem idosos enfermos. É preciso pedir socorro para as famílias que têm filhos autistas. É preciso pedir socorro para quem não tem plano de saúde, aposentadoria integral, carro novo, celular novo, dinheiro guardado. Há uma infinidade de SOS espalhados por aí. Há muitas causas para lutar. Há muita gente que precisa de amparo e nunca é suficiente. Nunca será. E isso não serve como desculpa para não ajudar.
Baixa vibração
Sei que o tom dessa coluna desandou para um lado triste, chato e talvez mesquinho. Porém, há um abismo gigante em nossa sociedade. Enquanto alguns brasileiros, com a boca escancarada cheia de dentes se põem em posição de pedir socorro, há muitos outros, que fazendo o “L” ou não, continuarão sofrendo, na batalha, muitas vezes invisíveis. Para esses, nada se altera, senão para pior. Infelizmente é da vida. Políticas públicas não vão eliminar, mas pouco a pouco podem mitigar. Enquanto houver esse tipo de pensamento, manifestação e miopia social, não sairemos do lugar. O tempo, sagrado recurso, vai passando, não se acumula. Espero que as luzes jogadas aos céus de Porto Alegre possam abrir as mentes de seus emissores. Eis um pequeno grupo que poderia fazer alguma coisa de útil em vez de esperar as coisas caírem do céu, além de críticas. Pobre general.