Um presidente ambientalista
Notícias recentes apontam que o presidente eleito - Lula - viajará para o Egito, para a Conferência das Nações Unidas para o Clima, a COP 27. Ele deve participar, inclusive, da Carta da Amazônia. Uma agenda comum de líderes mundiais para a transição climática, conforme publicado nos portais de notícias. Mesmo ainda sem ser autoridade, ao menos Lula se comporta como tal.
Estratégias do Passado
Das políticas de Lula, destaco uma que é lembrada com certo saudosismo: O IPI Zero. Eu lembro, foi uma febre. Os carros populares, os chamados 1.0, tiveram o imposto reduzido, de 7% para zero. Os de maior potência e cilindrada também tiverem redução, mas não a zero. O resultado não podia ser outro. As vendas de veículos novos explodiram e a economia se aqueceu. Ponto para o Lula. Indústria aquecida e o povo com a autoestima elevada. Era o milagre econômico brasileiro. Tempos do “meu primeiro carro zero”, entre outras lembranças da década retrasada.
O que os carros consomem
Com mais carros circulando, maior também é o consumo de combustível. Isso é óbvio. Outro grande acerto da política de Lula. Com mais combustível sendo vendido, maior a arrecadação tributária e maior a valorização da Petrobrás. A nossa grande estatal, monopolista do petróleo brasileiro, foi a grande aliada do presidente, até para fins não ortodoxos. Isto se você é um daqueles patriotas que acredita que ela foi roubada. Mas o que pouca gente se deu conta é que, os carros vendidos com motor 1.0 no Brasil utilizavam os mesmos motores dos carros 1.0 vendidos na Europa. Mas qual a diferença? A “programação”. Enquanto os europeus consumiam 5 litros a cada 100 quilômetros, os brasileiros consumiam 10. Traduzindo: no Brasil, 10 km/l. Na Europa, 20 km/l. Uma pequena diferença de 100% na ida ou 50% na volta, depende o ponto de vista. Viva a matemática!
Diferenças de consumo
Alguns engenheiros de plantão irão dizer que a diferença no consumo está na qualidade da gasolina brasileira e na adição de álcool. Eu até entendo, mas não justifica tamanha discrepância. Não convence. Também, jamais ouvi alguém do setor dizer que os sistemas de injeção eletrônica dos carros brasileiros eram programados para consumir mais. O que é bem verdade. Prova disso é que multiplicaram-se pelo país, nas última década, oficinas especializadas em reprogramar os sistemas. Com um simples “chip” ou reprogramação, se ganha 30% de economia e 20% de aumento de potência. Outra evidência: em 2015 a própria Volkswagen admitiu ter enganado por anos o governo americano de Obama e Biden sobre as emissões de poluentes. Fica a pergunta: estariam os engenheiros, produzindo carros que consumiam mais do que o necessário? Seria uma política de governo?
Fica a pergunta
Essas inferências, que me parecem bem racionais, deixam no ar poluído que respiramos uma importante pergunta: Teria o governo Lula, abdicado da arrecadação do IPI dos automóveis e, em troca, combinado com as montadoras para que os carros consumissem mais que o necessário, privilegiando a Petrobrás e a arrecadação tributária reflexa, decorrente do aumento na venda dos combustíveis? Se alguém, algum dia, puder me provar o contrário, ficaria satisfeito. Que se manifestem os engenheiros! Mas o novo presidente sabe. Se isso for verdadeiro, como parece, teria Lula a coragem de assumir que aqueceu a economia dessa maneira? Assumiria ter aquecido, também, o nosso planeta, ao vender carros mais poluentes? Eis uma boa reflexão para aqueles que querem salvar o meio ambiente (dos quais eu me incluo).
Cobertor curto
Na economia, há sempre o dilema do cobertor curto. Não existe almoço grátis. Reduzir o IPI fez, de fato, aumentar o volume de venda de carros. Mas programá-los a gastar mais para compensar a perda de arrecadação, daí é maldade demais com o meio ambiente. O mundo globalizado em que vivemos exige que as boas práticas sejam adotadas em todo o lado, seja aqui ou Egito. É hora de os líderes mundiais estarem atentos a detalhes tão comezinhos como este. Tomara que o novo Lula pense realmente no meio ambiente e não caia nas mesmas armadilhas de seus governos anteriores. Tomara que seja – finalmente - um homem de princípios e de palavra. Há uma legião de ambientalistas que votaram nele. Espero que leiam essa coluna e fiscalizem o governo, sob pena de serem taxados de “falsos ambientalistas”. Esses, que vivem em um mundo de fantasias, como os idiotas que se grudam em obras de arte mudo a fora.