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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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O osso do jogador

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Passada essa primeira semana em Portugal, me vieram à memória algumas vivências do tempo de guri. Aqui no velho continente, por onde se anda, as pessoas estão a reclamar da inflação, decorrente da pandemia e do subsequente conflito na Ucrânia. E em matéria de inflação, o que vemos por aqui, é uma queixa com relação aos preços dos alimentos e da energia: combustíveis, gás e energia elétrica.

Europa em crise

A queixa é geral em toda a Europa. Vai muito além de Portugal. Pouco antes de escrever esta coluna, ouvi no rádio que Portugal tornou-se o oitavo país mais pobre da União Européia e que com a alta dos preços, milhares de portugueses ingressarão nos níveis de pobreza. Aos ouvidos de um brasileiro, isso não soa como novidade. Os brazucas estão acostumados com essa montanha russa. Também, por aqui, os partidos de esquerda esbravejam por medidas irracionais, como se um simples canetaço resolvesse as coisas de imediato. Infelizmente, a economia se comporta como um grande navio no oceano. Manobrá-lo, com desespero, pode ocasionar transtornos ainda maiores, em que pese a vontade do povo.

As ondas da economia

E essas oscilações econômicas, que impactam diretamente o dia a dia das pessoas, me fez encontrar algo que há tempos não via: o osso do jogador. Quem viveu os anos 80 lembra de como era caro consumir carne bovina. A alternativa, então, era comer proteína de frango. Mas não eram nuggets e peito de frango, era frango inteiro, daqueles que o pescoço e os pés vinham embutidos na carcaça. Almoçar um frango era como fazer uma autópsia. Para conseguir o melhor aproveitamento, a família o desossava conjuntamente à mesa e, ao final, com os dedos e os cantos da boca engordurados, encontrávamos o jogador. Isso mesmo, aquele ossinho em forma de forquilha. O barato então era disputar quem iria lavar a louça, dependendo de como quebrava o ossinho. Bons tempos aqueles.

O reencontro do jogador

Eis que aqui, em nossa primeira semana, vivendo com o orçamento brasileiro, comprei um desses frangos no mercado. E foi muito interessante encontrar o jogador ao final da peleia, junto aos restos mortais da penosa. Me senti como se fosse meus pais. Lembrei daquele tempo de dificuldades, mas também de um tempo em que a mesa era cheia, senão de comida, do mais importante, de pessoas.

Tudo passa

Com calma, tudo passa. Essas crises hão de passar também. Os preços hão de se estabilizar outra vez. Mas enquanto o tempo das vacas gordas não volta, não resta outra alternativa senão trabalhar, estudar e fazer o bem. De quebra, velhos hábitos, já esquecidos pelo conforto da modernidade, voltam aos lares. Mas o que não pode faltar, jamais, é a presença da família em torno da mesa. É neste entorno que a força se restabelece. Ao som dos talheres, com o olho no olho, com a conversa em família. Se isso não se perder, não há crise que não possa ser superada. Salve o jogador!!!

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