Resiliência, pragmatismo e longo prazo
Em nossas vidas, até com certa frequência, costumamos determinar os eventos como sendo de curto, de médio ou de longo prazo. Também, à medida que o tempo vai passando, nem sempre o que era um objetivo de longo prazo, quando chegada a hora, permanece necessariamente como algo objetivo, desejado. A vida muda, as perspectivas também. Será? Esse talvez seja um dos principais elementos que diferenciam os seres humanos: a capacidade de se reinventar, de mudar e de encarar a vida de acordo com suas fases. Tem sido assim comigo. Por mais velho que fique, meu irmão sempre fica mais velho que eu. Parabéns Silvio!
Manifesto Comunista
Ainda que eu permaneça por mais alguns dias no Brasil, minhas aulas já tiveram início lá no Velho Continente. Em razão das modernas tecnologias, hoje é possível estudar mesmo de longe. E foi o que fiz no último sábado. Não foi tão moleza como ir ao cinema assistir “A Teoria dos Vidros Quebrados”, mas foi instigante. A matéria: Teorias da Cultura. As leituras indicadas pelo professor incluiam o Manifesto Comunista, de Karl Marx, feminismo, antropologia, burguesia, hegemonia. Eram esses, os termos aborados pelas leituras indicadas pelo professor. E lá fui eu, a ler e reler tudo isso novamente.
Pausa para o café
Eis que num momento de distração, enquanto lia, me chamou atenção uma notícia que apareceu no celular. Sabe aquele momento de bobeira, quando a gente sai do foco por um tempo. Bem isso. Foi então que li sobre a decisão do Ministro Barroso – do STF, que devolveu ao vereador Renato Freitas, da Câmara Municipal de Curitiba, o mandato que lhe havia sido retirado, por ocasião da uma baderna causada em uma igreja no Paraná. Assunto pra lá de polêmico, que envolve minorias, a questão racial e a questão religiosa. Prato cheio para discórdias, mas nesse momento, não vou entrar nesse caldeirão, que já anda transbordando.
O tal de longo prazo
Mas o que isso tudo tem a ver com curto, médio e longo prazo? Acredito que seja realmente os planos da esquerda brasileira. Nos chamados anos de chumbo, foram guerrilheiros. Depois da anistia, em 1979, integraram o movimento de redemocratização do país e voltaram à cena política, devagar. Mas o que chama realmente atenção é o barulho e, ao mesmo tempo, a dormência da direita conservadora. Digo isso porque, ao que parece, até mesmo Fernando Henrique Cardoso, (hoje aparente) algoz de Lula nas eleições de 1994 e 1998 e promotor da reeleição, mostrou finalmente de que lado está. Seria tudo isso uma conspiração, desde 1989? O impeachment de Collor, com a assunção de FHC, primeiro como super ministro e depois como presidente, teria sido o primeiro golpe nas oligarquias brasileiras? O pensamento ainda está vago, não?
Pragmatismo
Isso tudo me faz crer no pragmatismo de longo prazo. Me faz acreditar que a esquerda brasileira foi resiliente e penetrou em todos os ambientes da sociedade, até dominar, inclusive, a suprema corte. Com o advento da reeleição, trazida por FHC, a nomeação dos membros do STF proporcionou aos ex-presidentes, certo conforto jurídico. E, se pensarmos que de 1994 até hoje se passaram quase trinta anos e, que todos os atuais membros (11) da corte superiora foram nomeados por FHC (1), Lula (3) , Dilma (4), Temer (1) e Bolsonaro (2), podemos inferir que, os planos de longo prazo da esquerda brasileira foram, de fato, bem organizados. Ao menos no que diz respeito às nomeações ao STF. Bueno, para encerrar, quero dizer que não sou contra a luta de classes, desde que o pano de fundo disso tudo não se converta numa nova forma de opressão e vingança. Afinal, onde estará a homeostase?