Nossos Hábitos
Existem duas moléstias modernas que parecem conflitar entre si. O Transtorno Obsessivo Compulsivo e o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Seja como for, esses transtornos parecem ser polos opostos que envolvem o comportamento humano. Em maior ou menor grau, podem fazer parte do nosso cotidiano e do nosso comportamento.
O TOC
No Transtorno Obsessivo Compulsivo, conhecido como TOC, o sujeito pode apresentar, dentre outros sintomas, certos pensamentos agressivos e um medo exacerbado sobre determinadas coisas. Algo como ser contaminado por seres invisíveis, como germes e bactérias. É tipo aquele sujeito que, depois da Covid, sai de máscara, sozinho, dirigindo seu carro por aí. Nada contra. Mas o estereótipo mais marcante é aquele narrado no filme em que Jack Nicholson é o protagonista: Melhor é Impossível, de 1997. Recomendo! O sujeito apresenta uma necessidade incontrolável de manter tudo no seu devido lugar, de forma simétrica e com perfeita atenção às coisas. Algo como abrir uma caixa de ovos e examinar um a um, minuciosamente, a começar pela cor. Se encontrar um que seja menos branco que os outros onze da dúzia, pronto, o gatilho é acionado.
O TDAH
Já o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH, é conhecido por ser uma moléstia em que o portador apresenta, entre outas características, a hiperatividade, a desorganização e a agitação. Essa soma de fatores ocasiona a falta de atenção. Não lembro de ter visto nenhum filme para ilustrar melhor. Seria indício de TDAH? Talvez. Ocorre que sujeitos assim não conseguem, nem mesmo, ler uma coluna de jornal, quiçá um livro. Quantos não haverão de existir ao nosso redor? Mesmo assim, não é difícil reconhecer quem sofre desse mal. Geralmente são pessoas agitadas e ao mesmo tempo distraídas, como o sujeito que começa muitas coisas e depois não consegue concluí-las.
Um pouco dos dois
Por mais que possam apresentar comportamentos antagônicos, os dois transtornos podem estar presentes, ao mesmo tempo, com a mesma pessoa. Difícil imaginar, mas é possível. O fato é que, observando bem, parece que cada um de nós apresenta um pouquinho de TOC e de TDAH. Tudo depende da forma como acordamos e vibramos durante o dia. Não há um segredo, a não ser se autoconhecer e identificar os gatilhos. Aquelas situações em que mudamos repentinamente nosso humor e assumimos o comportamento presente nestes transtornos. Mas posso afirmar: quem faz meditação dificilmente é surpreendido com a mudança repentina de comportamento. Justamente porque a respiração é o único meio de controlar os pensamentos, mas isso é assunto para outro dia.
Nossos Hábitos
Querendo ou não, a rotina de acordar e dormir, invariavelmente, cria hábitos em nossas vidas. Há algum tempo, depois de preparar o chimarrão, faço a leitura de um texto da Coleção Fonte Viva, composta por cinco livros. São textos curtos, baseados no evangelho e que dão boas reflexões para começar o dia. Antes, costumava abrir a Bíblia aleatoriamente, mas esse sorteio da fé nem sempre casava com o meu momento. Afinal, de nada adianta ler e não refletir. É preciso levar o aprendizado para o contexto do seu dia. Em um momento ou outro você vai se deparar com uma situação que se encaixa com a leitura.
O evangelho do dia
E nessa pegada TOC, minha leitura matinal dizia assim: “Orar sempre e nunca desfalecer” (Lucas 18:1). “Não permitas que os problemas externos, inclusive os do próprio corpo, te inabilitem para o serviço da iluminação”. Em outras palavras, mantenha a atenção. Vigie! A oração, a prece e a reflexão, são instrumentos importantes para que busquemos o melhor de nós mesmos. Funciona como meditação. Mesmo que você não sinta essa necessidade, vale o cuidado, nem que seja para que não tenhamos déficit de atenção, para com os outros.