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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

Sobre o Dia dos Pais

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Domingo passado comemoramos o Dia dos Pais. Uma data especial para muitos. Em verdade, uma concessão feminina. Digo isso porque sem as mães, não há paternidade e nada disso seria possível. A grandeza, mesmo, está com elas e a comemoração deste dia demonstra nossa pequeneza diante do fato de ser mãe. E é assim que deve ser.

Origem do ciúme

Volta e meia nos deparamos com homens ciumentos. Li, no passado, que o ciúme é uma espécie, ou variação, do medo. Uma espécie de temor ancestral em não perpetuar a espécie. Parece complicado, mas não é. A começar pelo radical da palavra ciúme. Derivada do grego zelumem, tem como fonte o cuidado, o zelo. Como na música “Sozinho”, do Caetano Veloso: “Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida”. Outras palavras provém de mesma origem, como zelador. Na História, os zelotes, que também tem origem neste mesmo radical, eram os que guardavam os ensinamentos de Jesus. Simão foi o primeiro destes e um dos doze apóstolos de Cristo. Os zeladores da palavra.

Antropologia do ciúme

Mas qual a razão do ciúme? A razão é intrínseca. Nosso DNA guarda em sua essência, o princípio da conservação da espécie. É assim, em geral, em toda a natureza, inclusive na masculina. Ocorre que o homem, diferente da mulher, não carrega em seu ventre a certeza da perpetuação da espécie. Logo, a dúvida sempre permeia o pensamento dos mais fracos, daqueles em que a necessidade inconsciente de perpetuação é maior do que o amor. Me refiro, especificamente, aos filhos gerados fora do casamento. Sob este prisma, somente as mulheres têm a legítima certeza de estarem cumprindo a função ancestral. Sábia natureza, pois para se gerar uma nova vida, além de toda a preparação do corpo, a mulher participa apenas com um óvulo, enquanto os homens espargem milhares de sementes, na esperança de que uma delas gere a fecundação.

Ser pai, uma concessão feminina

Por esta razão, o Dia dos Pais, em verdade, é uma concessão feminina. Um reconhecimento, para que os filhos adorem seus pais. De resto, todo o dia, é dia das mães, por mais que tenhamos uma data específica para comemorar. Os antropólogos dizem ainda que os homens inseguros tendem a ser poligâmicos, o que explica, de certa forma, porque homens traem mais suas parceiras do que o contrário. Ou será que até isso mudou? Dada essa insegurança quanto à perpetuação da espécie, antropologicamente falando, os homens buscariam minimizar seus riscos de não procriar, procurando pulverizar seu risco ao aumentar o número de parceiras.

A força está com elas

Por óbvio que estas questões ancestrais em nada justificam a traição, os ciúmes e os comportamentos destemperados. Mesmo assim, não podemos negar, que a força está com elas. O que nos resta então, é admirar as mulheres e aprender. Dizem que por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher. Isso me faz pensar que, o verdadeiro grande homem, é aquele que trabalha para ser o menor possível. Aquele que reconhece sua pequeneza diante da vida. Como a semente de uma frondosa árvore. A árvore é o legado, a semente, o espírito. Quem realmente queremos ser? O legado ou o espírito?

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