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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

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Sobre amar os inimigos

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Quem leva uma vida mais pensativa e ao menos um pouco devota às questões religiosas, sempre se depara com os ensinamentos de Cristo. E quem somos nós para discordar d’Ele? Mas de que adianta concordar, balançar a cabeça e, no íntimo, desobedecer? A partir dessas premissas, incluindo a de que devemos amar nossos inimigos, resolvi navegar por este assunto, tão delicado.

No evangelho

No evangelho de Mateus (5: 43-44), nos deparamos com a origem deste ensinamento bíblico. A passagem nos diz assim: “Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. Mas a questão central, seja ela ligada ou não às escrituras, talvez represente o maior dos desafios da espécie humana: perdoar. O perdão, que é a chave de acesso ao amor, não pode ser algo condicional e envolve muitos desdobramentos. Talvez por isso eu – infelizmente – ainda comungue com a grande maioria. É realmente difícil perdoar. Mas sempre me questiono, porque não conseguimos? Somos realmente seres atrasados.

O exercício do perdão

Perdoar, na teoria, é sempre fácil. Mas na prática, parece requerer uma espécie de sangue frio. Algo como ser um psicopata ao contrário. Do mal para o bem. Talvez, o que nos mova contra os nossos inimigos seja justamente o espelhamento de nossas atitudes. Se repararmos bem, aquilo que nos desgosta nos outros pode estar espelhado em nossos pensamentos. Daí se torna fácil apontar os erros dos outros e transferir a responsabilidade. Mas o que as escrituras não dizem, mas indicam, é que a oração é o primeiro passo. Não tem como perdoar alguém enquanto se vibra na mesma frequência do inimigo. Mas se tiveres a habilidade de neutralizar teus pensamentos negativos e vingativos e elevar tua consciência, daí sim, se consegue um “descolamento” entre o algoz e a vítima. Afinal, se você não concorda com o que te fazem ou fizeram, a sua reação deve ser justamente a oposta. Se fizeres o mesmo, por revide, estarás agindo exatamente da maneira que reprovas. Logo, se não reprovas, é porque você também é mau.

O mal que te faz bem

Recentemente, em razão de minha mudança de cidade, me deparei com uma situação inusitada. Quem mora no interior sabe como é fácil fazer amigos e também inimigos. Quem trabalha no meio político, como eu trabalhei, mais ainda. Mas o que aprendi com os meus inimigos? Aprendi o quanto me fazem bem, mesmo quando me fazem o mal. É paradoxal, eu sei, mas isso eu constatei agora, ao deixar minha querida Entre Rios do Sul. Seria muito sofrido deixar o local que escolhi para viver, se não houvessem os inimigos. Se fosse um lugar calmo, positivo e sossegado. Sofreria demais em deixar um lugar se este fosse habitado por uma maioria de pessoas elevadas. Mas não. A raiva, a inveja, a maledicência e tudo mais que existe numa cidade pequena, tudo isso facilita a sua saída.

Despedida

Por isso, nesta semana em que darei adeus à minha cidade, preciso agradecer aos meus inimigos. Além de me fazer pensar e agir diferente, tornaram a minha despedida ainda mais suave, bem como a vida requer. Eu hei de amá-los, mas por hora, a distância vai me proteger e vai me ensinar. Se fui mal, minha saída fará o bem. Se fiz o bem, fiz a minha parte. Meu filho Pedro sempre diz: sem vilão não há herói. Não importa se fui vilão ou herói. Só o tempo vai dizer. Até mais!

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