O sentido da vida (continuação)
Em minha coluna de ontem, relatei com a ajuda de um amigo muito querido, as experiências que ele relembrou tão logo recebeu um diagnóstico de câncer. Falamos a respeito de um estudo realizado ainda nos anos 70, que reuniu psicólogos e alunos em conjunto com um grupo de autoajuda, formado por doentes terminais. Abordamos as quatro perspectivas de vida desses pacientes e hoje vamos contar mais um pouco dessa experiência.
Interação entre pacientes
Dentro das quatro perspectivas de vida dos doentes terminais, uma delas chamou atenção: o que ainda podemos fazer. No experimento, foi constatado uma ajuda mútua entre os seus componentes, mesmo diante da dura realidade imposta pela limitação física causada por suas doenças. Em uma dessas interações, o mais velho deles, decidiu presentear um dos mais novos, de 22 anos, pagando uma viagem ao garoto para ir a São Paulo, assistir ao show de uma banda de rock que gostava muito. Na volta, o jovem relatou estar feliz pela realização deste grande sonho e já se declarava pronto para partir.
Quem sou eu?
Mas entre as quatro perspectivas apresentadas naquele estudo, o grande questionamento – Quem sou eu – era o que mais animava aquele grupo. Ao serem questionados sobre este tema, os integrantes deram respostas enérgicas. Estavam todos convictos e decididos sobre a discussão do tema. Olhavam com uma certa decepção aos psicólogos e alunos, por não terem alcançado seus níveis de preocupação naquele momento decisivo de suas vidas. O resultado disso é que, diante da proximidade da morte as pessoas se conectam com algo que quem está saudável pouco pensa: o sentido da vida. Questões como o que vieram fazer aqui na terra em sua passagem, porque existiram, qual seria sua missão que talvez não tenham compreendido em plena consciência. Qual o legado que foi ou ainda poderia ser deixado por um jovem de apenas 22 anos que se despede da vida ou pelo mais idoso do grupo, ao ter a oportunidade de nascer, viver e morrer por um tempo indeterminado, seja qual for a idade.
Desdobramentos
Essas questões, ensinadas pelos doentes terminais, sempre nos coloca em prova. Quem de fato somos nós? Que tipo de pessoa nos tornamos? Que escolhas fizemos pelo nosso livre arbítrio? Esta experiência, ao mesmo tempo triste e fascinante, potencializa um alto aprendizado e oportuniza muitas indagações pessoais. Possibilita mudanças significativas na forma de viver. A primeira delas é: será que temos que estar próximo da morte para mudarmos o rumo de nossa vida? Se temos um livre arbítrio, saúde e um cérebro pensante não podemos buscar a felicidade, realizar os sonhos e sermos pessoas do bem que deixem um legado de exemplo digno e interessante na nossa passagem histórica pela terra?
Missão de vida
A grande questão se resume em definir qual é a nossa verdadeira missão, o que nos dá sentido nessa vida. Porquê - e para que - estamos aqui a representar vários papéis, em planos e palcos diferentes. Na família, no trabalho, na sociedade em geral. Questionamentos sobre o que podemos fazer mais e melhor para de fato contribuir com nossa passagem. Algo que vai muito além de sermos meros expectadores de nossa própria existência. A decisão é clara: precisamos dar um sentido a nossa vida, onde tenhamos maior consciência do que fizemos até hoje e o que ainda podemos fazer, antes que seja tarde. A ação seguinte é sair da letargia e agir no aqui e agora para reestruturar a vida pelas descobertas de quem sou eu. Ainda há tempo para mudar. A decisão é sua (Everton Corrêa).