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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

A vida em copas

Por Marcos Vinicius Simon Leite

O futebol pode não ser uma paixão unânime. Eu hoje compreendo que está difícil gostar desse esporte. Depois do advento do Var, o esporte deixou de ser protagonista, abrindo espaço para a arbitragem. Deixamos de torcer pelo nosso time e passamos a esperar pelo árbitro. Mesmo assim, o futebol sempre marca a vida das pessoas. Esses dias, enquanto esperava por um exame, vi um calendário com uma foto da copa de 70. Na foto, dizia que era a nona Copa do Mundo e percebi como a nossa vida é marcada por copas.

As minhas copas

Nasci em 1974. Naquele ano a Alemanha (Ocidental) venceu a “laranja mecânica”, como era conhecida a seleção holandesa. Mas disso não posso me lembrar. Mas a de 78 sim. Foi a minha primeira memória de copas. Lembro da minha família reunida a assistir os jogos, na casa que marcou a minha infância. Foi a primeira vez que vi um duelo entre Brasil e Argentina e foi desde então que passei a gostar de futebol. Anos depois, o goleiro João Leite chamou minha atenção pelo sobrenome. Foi nosso defensor com a seleção brasileira no mundialito de 1980, disputado no Uruguai.

Minhas copas, meus ciclos

Revendo as minhas moradas, vivi duas copas do mundo na inesquecível casa do Guarujá, onde passei minha infância. A de 78, que já comentei e a de 82, com a saudosa “seleção canarinho”, eliminada pelos gols de Paolo Rossi. Mesmo assim, foi nessa copa da Espanha que me apaixonei pelo futebol. Quem é daquele tempo lembra do álbum de figurinhas do Ping Pong. A gente comprava o chiclete só pela figurinha. Era um tempo em que se aprendia geografia comendo chicletes. Na próxima copa, de 86, já morava num apartamento, onde assisti ainda as copas de 90, 94 e 98. A copa de 2002 eu assisti já na minha primeira casa e, na de 2006, minha primogêntia já estava em meus braços. Ela lembra também da copa de 2010, a copa da vuvuzela, disputada na África do Sul. Depois disso, parece que o futebol foi perdendo a graça. Confesso que passei a torcer contra a seleção, mas sempre a favor do futebol. As que sucederam, assisti em Entre Rios do Sul.

A Copa América de 1995

Neste ano, tive o privilégio de estar em Montevidéo enquanto rolava a Copa América. Não assisti a nenhum jogo no estádio, mas vivenciei o clima que envolveu a cidade naquele evento esportivo. Fui com meu irmão Silvio e minha cunhada, para o casamento da irmã dela: Paola. Mas porquê esses eventos marcam a vida em ciclos? É porque fragmentamos nossas memórias, como se fossem gavetas do tempo. É assim também com as estações do ano, privilégio de quem mora mais abaixo, ou acima, dos trópicos.

Memórias de 1995

Meus amigos dizem que tenho boa memória. Eu digo que tenho “boas memórias”. E uma delas, de 1995, foi um almoço em família, no dia seguinte ao casamento de Paola. Na casa dos pais do noivo, Gabriel, próximo a famosa Rambla, como é conhecida a beira-mar uruguaia, comemos uma parrilla autêntica, tomamos Patrícias, Norteñas e Zillertal. Depois de borrachos, ainda assistimos ao por-do-sol na beira do Rio da Prata. Daquele dia, animado e especial, guardo a lembrança daquele Uruguai animado e da parentela de minha cunhada Cláudia Belbussi. Passados esses quase 30 anos, a idade chegou para todos. Com ela, a infeliz tarefa de ver amigos partirem para o próximo plano. Mas daqui, lejo de Tia Zulma, continuo acreditando que ela vai acordar animada e reunir mais uma vez a família, como naquele julho de 1995. Arriba Zulmita!!!

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