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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

Abra sua gaiola

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Eu já escrevi sobre a liberdade e de como a gente só dá importância quando ela nos falta. Já escrevi também sobre os discursos dos políticos da atualidade. Escrevi sobre futebol, religião e política. Falei até que o Lula, se eleito, seria na carona da inflação, como se esse fenômeno fosse uma mordaz ferramenta do atual presidente. Mas hoje vou falar de pássaros. Estes sim simbolizam a verdadeira liberdade.

O meu pássaro

Paradoxalmente, quando em 1984 minha família mudou-se para um pequeno apartamento, onde até hoje moram meus pais, tivemos de deixar para trás, vários indicadores de liberdade. O principal a mim, na época, foram os cachorros, o Sheik e o Panzer. Em troca pela mudança para o apartamento, onde era proibido quase tudo, ganhei uma caturrita, a Teca. Não demorou muito e, com a ajuda do meu pai, ensinamos ela a viver fora da casinha. Sua gaiola era seu ferrolho. Então, para que não alçasse voos mais longos, costumávos aparar uma de suas asas. Mas não foi suficiente. No dia da final do campeonato brasileiro de 1987, ela olhou o horizonte daquele quinto andar e voou. Deu adeus ao nosso apartamento e foi ao mundo. Amainou a tristeza da derrota do colorado. Eu tinha outro motivo para estar triste.

Canarinho de político

E nesses dias, em que convivemos com uma situação inusitada em nossa pequena cidade de pouco “menos” de três mil habitantes, por ocasião do afastamento do prefeito, percebi como as opiniões sobre política são parecidas. Só muda o grupo. Se você está de um lado, o discurso é sempre o mesmo e tem sempre o mesmo sentido repetitivo. Se você está do outro lado, costuma ser a mesma coisa. Quem haverá de estar certo? Ninguém. Justamente porque quem não sabe o que pensa, não sabe o que diz. Há muitos eleitores engaiolados nesse processo todo. É até engraçado. Depois de ouví-los uma vez, você reconhece seu canto de longe, como canarinhos de gaiola, sem ofensa aos animais e ao time de Erechim.

Anatomia dos canários

Analise: do que precisa um canarinho para repetir sempre o mesmo canto? Precisa de água e comida, como qualquer ser vivo. Precisa de cuidado e precisa ser estimulado a cantar. Daí, seu político de estimação vai lá, coloca ele no sol. Quando esquenta muito coloca ele na sombra. Quando vai chover coloca ele para dentro. Esse político é quase um Deus, não deixa faltar nada. Mas se o canário não cantar, daí começam os problemas. Nada de sol, nada de sombra. E assim funciona a política. O passarinho vai pra geladeira, para solitária. São eleitores que seguem seu criador de canários, todos a cantar a mesma sinfonia, em troca de água, comida, sol e sombra. E a liberdade? Experimente cantar mais alto ou diferente! Experimente abrir a sua gaiola! Você conhecerá a verdadeira face do seu político de estimação.

O evangelho ajuda

Termino hoje, saudoso do evangelho. Há tempos não tenho ligado minhas crônicas aos textos bíblicos. Então, hoje encerro com Tiago, 1:25: “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, esse tal será bem-aventurado em seus feitos”.

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