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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Marcos Leite

Quando a corrupção começa na sala de aula

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Na minha coluna de ontem, abordei o tema da corrupção, numa visão social e cultural do povo brasileiro. Tentei dissociar a corrupção da política, por mais siamesas que pareçam. Mas hoje, vou concluir meu texto de ontem, falando de outra fonte de corrupção: a educação.

A família Sabemos que alguns comportamentos familiares estão ultrapassados. Por um lado, é bom. Não temos mais aquele machismo absurdo. Evoluímos, ao passo que as mulheres conquistaram direitos e igualdades fundamentais. O preconceito, outro câncer das décadas passadas, também arrefeceu. Futebol não combina mais com cigarro. Tudo isso é muito positivo e demonstra uma certa evolução da nossa cultura e sociedade. Porém, essa metamorfose social também provocou alterações no genoma “família”. Com efeito, é como se a educação, os valores, e também os bons costumes tivessem sido transferidos, ou simplesmente outorgados às escolas. Com mães e pais trabalhando fora, coube aos educandários o papel de ensinar o que é ética, o que há décadas era tarefa pétrea das famílias. Às escolas, instrução. Às famílias, educação. Hoje não. Há pouca instrução e pouca educação e quase nada de família. Falhamos em quase tudo. Prova disso é que continuamos na mesma, vivendo num país atrasado.

Nas escolas

E nas escolas, o que vemos? Alunos chegando à quarta série sem saber ler. Os que aprenderam, até leem, mas não compreendem. De que adianta? E eles vão avançando, ano a ano, como o gado no brete. Na mesma sala, convivem alunos que se interessam por estudar e os que vão à escola por obrigação legal. Mas quando chega o fim do ano, os maus alunos não repetem de ano. Porquê? Porque tem um professor corrupto, ou mais de um, sorrateiro, fingindo que o aluno está apto, quando não está. Um malandro, que passa o ano curtindo a vida enquanto assiste os outros estudando para passar de ano. Coloca meu nome no trabalho aí...Frase típica daquele projeto de vadio, que não se compromete com nada, que não entrega as tarefas, tira notas baixas, não aprende, não estuda, mas no fim do ano “leva vantagem”, como na propaganda do Vila Rica. A professora, corrupta, dá um “jeitinho brasileiro” e passa o problema adiante. Do outro lado, o aluno que abriu mão de festas, se dedicou, estudou e a duras penas aprendeu, fica com aquela cara de tacho, observando, muitas vezes sem entender o que é certo e o que é errado. Afinal, é uma sociedade e, como tal, dita suas regras.

Educação

Não pretendo radicalizar. Mas sinceramente, não consigo entender esse sistema moderno de deseducação. Há anos o Brasil não deslancha. Há anos as coisas estão de mal a pior na educação. O governo derrama rios de dinheiro, mas a coisa não flui. O gasto público por aluno chega a ser superior ao custo de uma escola particular. As escolas públicas estão completas de recursos. São dispositivos de multimídia, computadores, ar condicionado, transporte, merenda. Tudo melhorou, mas nada evoluiu. Os que se dizem professores, vivem reclamando que ganham mal, no que eu até concordo. O que justificaria essa estagnação? Por certo, culpa daquele professor ou diretor, que é condescendente, que é corrupto e que permite que o aluno desinteressado conquiste o mesmo objetivo daquele que estuda. A corrupção está na gênese do brasileiro e pasmem, pode estar dentro da escola do teu filho. E isso, os tribunais de contas não fiscalizam.

Evolução

Não sou especialista em educação. Tampouco tenho a receita do sucesso. Mas como muitos, sei muito bem o que não pode ser feito. Aprovar alunos desleixados e não envolve-los no saber, é um exemplo. Aplicar penas alternativas para delinquentes contumazes, outro exemplo. Fico imaginando agora um debate, seja numa sala de professores, desses criados pela modernosa pedagogia do oprimido, de Paulo Freire, ou nos corredores de uma faculdade de Direito, com os defensores do Direito Alternativo de Amilton Bueno de Carvalho, todos eles, lendo a minha coluna e me maldizendo. Somos poucos, sim, mas lutaremos sempre pelo que entendemos ser certo e para que não façam mau uso das teorias desses brilhantes pensadores.

 

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