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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Matrimônio, Paternidade, Patrimônio

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Volto a 2006, quando minha esposa ficou grávida de nossa primogênita. Lembro que eu tinha duas certezas: a primeira, que seria uma menina e a segunda, não posso falar aqui, mas prometo revelar em outro livro que já estou escrevendo. Mas o que posso dizer, é que no meu caso, a paternidade veio antes do patrimônio, numa sequência: matrimônio, paternidade, patrimônio. Sei que esses conceitos são antiquados, mas eu sou da “fôrma” antiga.

Dinheiro e filhos

Nossa primogênita não foi uma filha planejada, mas foi uma filha desejada. Respeito os pais que são responsáveis, mas ela não veio a nós como um projeto, como quem constrói uma casa ou faz uma reforma. Éramos recém-casados e passávamos alguns perrengues com nosso pouco dinheiro. Trabalhávamos muito e tínhamos uma certa ideia de que daríamos certo na vida. Se bem que ainda hoje não sei direito o que significa dar certo na vida. Afinal, a vida é feita de momentos de sorte e de azar, mas nem por isso deixamos de viver. O fato é que combinamos a paternidade/maternidade num chimarrão de domingo. O assunto surgiu do nada. Veio com o Minuano frio daquela ensolarada manhã de inverno, curtida em frente ao laguinho do Parque Moinhos de Vento.

Ao lembrarmos de vários casais, amigos, conhecidos e clientes, que se “deram bem na vida” e que tentavam, tentavam, mas não conseguiam ter filhos, tomamos a nossa decisão de começar uma família. Assim, despretensiosamente. Combinamos em deixar as coisas acontecerem. A situação daqueles conhecidos era triste demais. Belas casas e apartamentos, todos bem decorados. Alguns, tinham até o quarto do bebê prontinho, como se fosse chegar a qualquer momento. Aquilo nos parecia uma paranoia e não invejávamos nem um pouco aquela situação. Era como se as crianças deles ainda se encontrassem noutro plano da vida, como se faltasse alguma coisa. Mas a tristeza deles sim, essa era deste plano. Então, abdicamos do conforto e optamos pelo ninho cheio. Naquele momento, entendíamos que o dinheiro dependia apenas do trabalho, enquanto os filhos não. E assim nasceu a Bruna, numa manhã de outono, um vinte e sete de abril, como hoje.

Anunciação

Eu sempre fui um sujeito brincalhão. Por isso, nem sempre as pessoas me levavam à sério. Mas ao retornar de um trabalho em Araranguá, para onde viajava semanalmente, voltei com a certeza de que seria pai. Não vi o Anjo Gabriel, mas sentia isso firmemente. Ao chegar em casa, anunciei para Sabrina: A Bruna está chegando! Ela me olhou com um ar de surpresa e percebeu que eu estava diferente e assertivo. Mas como saber se seria Bruna, Pedro ou Vicente? Não sei explicar, mas eu sentia uma vibração diferente. Minha intuição era forte demais. Tive de me conter até que o exame comprovasse: era a Bruna! Para não parecer soberbo, me agarrei na gratidão e me contive novamente.

Dezesseis anos se passaram. Hoje, minha parceira está de aniversário. Sou suspeito para falar do quanto a gente se identifica. Conversamos em silêncio. Temos aquela relação que só os olhos falam e os outros percebem, mas não entendem. Nossa afinidade é enorme. Percebo suas potencialidades, também presentes na minha personalidade. Todas melhoradas, ainda bem. Conheço suas falhas, se parecem com as minhas, por sorte, em menor escala.

Eternizando o casamento

Me considero um cara antigo. Tenho no casamento, mais que um sacramento. Aprendi com um velho ancião, que são os filhos que eternizam o matrimônio. São eles os responsáveis pela sua existência eterna. Um casal sem filhos, não perpetua a relação. E a Bruna, essa fortaleza de menina e de mulher, é bem mais que uma filha. É uma irmã presente, como aquelas que arrimavam as antigas famílias tradicionais. Devo muito a ela. Nasceu na hora certa. Transformou a minha vida com a sutileza de uma criança. Me ensinou como é bom ser pai, a ser amigo, a ser correto, a pensar mais, a ser mais responsável. Como pode, uma criaturinha assim, mudar tanto a nossa vida para melhor. Ter filhos é, definitivamente, uma coisa de Deus. Parabéns Bruna!

 

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