Fanatismo: entre fanatizantes e fanatizados
Esses tempos escrevi uma coluna intitulada futebol, religião e política. Naquela oportunidade não queria de falar dos fanáticos. Esse tipo de gente que fica cega quando defende seu time de futebol, sua orientação espiritual ou mesmo seu político de estimação. Por óbvio, não vou aqui, em poucas linhas, elaborar um tratado sobre o fanatismo. Mas seguirei meu propósito de provocar a reflexão.
Maquiavelismo
Os fins justificam os meios. Essa é uma das perspectivas do fanático. Eles fazem de tudo para defender suas ideias e objetivos egoístas. Repare como o fanático tende a ser agressivo. Ouse falar algo contrário à sua ideia e perceba que ele simplesmente não te escuta. Volta e meia ele emprega expressões de ódio e preconceito, ainda que sutis. O fanático é, no fundo, um deficiente mental, é orgulhoso e tem pensamento dicotômico, onde o diferente se torna inimigo. Estudos médicos apontam que as estruturas neurais dos fanáticos são deficitárias e que a sensação de prazer ocasionada por uma vitória – como a derrota de seu adversário - ativa a produção de dopamina. Simploriamente comparando, é como se sente um viciado em cocaína. Então, com o tempo, o fanático se torna cada vez mais viciado na sua paixão, fazendo com que seus pensamentos produzam essas substâncias de bem estar maquiavélico. E onde ele busca sustentar seu vício? Nas relações humanas.
Origem do fanático
É difícil identificar as causas que levam uma pessoa ao fanatismo. A psicologia entende que a sensação de medo ou de perda é presente em todos os indivíduos que se deixam levar pelas paixões fanáticas. Aquela sensação de risco iminente anda de mãos dadas com o fanático. Não muito diferente é a postura do fanatizante, o precursor do fanatismo. Geralmente, o fanatizante apresenta distúrbios que podem ter origem ainda em sua infância. Vejamos três exemplos: Adolf Hitler, Jim Jones e Lula. Calma! Não estou classificando-os no mesmo cesto. Mas eles têm algo em comum: suas infâncias foram extremamente marcadas pela dificuldade, pela pobreza e pela frustração. Esta é uma singularidade comum aos fanatizantes.
Mecanismos de fanatismo
De acordo com o Professor Fernando Neves, da Faculdade de Medicina da UFMG, em geral, quando uma pessoa acha que existe uma resposta única para as questões que a envolve, ela costuma não respeitar outros pontos de vista. Isso pode se tornar um hábito de vida, fazendo com que ela estabeleça uma crença muito forte sobre determinado assunto, com fundamentos já estabelecidos. O resultado de tal postura é uma dificuldade em escutar a opinião do outro e, consequentemente, causando sofrimento em seus relacionamentos pessoais e profissionais. A consequência disso, é que o fanático busca se aproximar, ou de quem tem a ideia fraca, ou de quem pensa parecido com ele, formando grupos com a mesma identidade. A gravidade desses comportamentos é que, em geral, os fanáticos vivem em prol de uma causa. São obsessores e tentam impor suas crenças para as outras pessoas, podendo inclusive ter comportamentos agressivos. Os mais calmos, insuflam os mais agressivos para atingir seus objetivos mais violentos. O resultado final, é que o fanatizante acaba criando grupos sectários, causando o empobrecimento da vida social.
Mecanismos do fanatismo
De maneira geral, é preciso muito cuidado com as lideranças. Aquelas que não possuem a capacidade de conciliar, de respeitar os outros e que aparentam saber de tudo, de estarem sempre certos, costumam ser as mais perigosas. O problema é ainda maior quando ela manipula e envolve o fanatizado. Depois de estabelecida esta relação de dependência, por medo da perda, o fanatizado acaba aceitando os desvios da personalidade do fanatizante e é justamente este o momento em que o fanatismo se torna um transtorno psíquico. Diante dessas premissas, é recomendável que você desconfie de todo o ser humano, ativista e que costuma defender causas sociais e coletivas. Esse fanatizante pode estar em todo lugar, numa torcida organizada que comete crimes no entorno dos estádios de futebol, em um grupo religioso, como aquele caso do João de Deus, ou mesmo gerenciando a atividade política de uma pequena cidade do interior.