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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Porque as pessoas odeiam política

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Antes de entender porque as pessoas odeiam política, é preciso entender de onde vêm os partidos políticos. Eis que, de tempos em tempos, eles retornam à sua vida. Não há como não reparar nas suas cores, em seus nomes criativos e suas propostas milagrosas. Mas afinal, quando é que surgiram os partidos políticos? E porque razões as pessoas costumam ter uma certa ojeriza dos partidos e dos políticos?

A origem dos partidos

Segundo a História, a ideia de partido político surgiu na Grécia antiga, cerca de quatro séculos antes do nascimento de Cristo. A partir de pensadores como Sócrates, Platão e Aristóteles, as pessoas passaram a se identificar com suas “ideologias”. Esses pensadores eram, portanto, os influencers daquela época. Porém, o conceito moderno de partido político surgiu com o fim das monarquias e dos regimes autoritários, a partir dos conceitos revolucionários, como os da Revolução Francesa. Com a queda dos reis, a sociedade precisou se organizar e os partidos políticos a solução encontrada.

Depois da queda das monarquias, lá pelo final do século XIX e início do XX, surgiram os novos regimes de governo. Ruiam as Monarquias e nasciam as Repúblicas, a exemplo do Brasil em 1889. O poder deixava de ser autoritário e passaria a ser democrático. No lugar de um único grupo de pessoas a governar (autoritarismo), surgia a democracia, onde o povo passaria a eleger seus representantes. Então, através de uma identidade de pensamentos, formaram-se grupos políticos, agora com o intuito de ocupar os cargos da administração pública e cuidar da “rés pública”, coisa pública em latim.

Os fins e os meios

Segundo o próprio Tribunal Superior Eleitoral, no início, os partidos formavam organizações puramente eleitorais. Tinham a função essencial de assegurar o êxito de seus candidatos. Nesse contexto, a eleição era o fim e o partido era o meio. Depois, os partidos desenvolveram funções próprias como organização capacitada para a ação direta e sistemática sobre a atividade política, colocando a eleição a serviço da propaganda partidária. Talvez por isso, percebamos essa inversão, onde os partidos se tornaram a finalidade, tendo nas eleições o meio de seu exercício.

No caso do Brasil, com a inversão entre finalidade e meio, a política passou a ser uma espécie de segmento da economia. Algo como um meio de vida, uma carreira, porque não dizer um “business”. É por isso que certos políticos, ora lutam, ora dormem com o inimigo. Eles têm na eleição o meio de manter suas atividades. Os ideais, esses passaram a ser negociáveis. Mas como em todas as profissões, temos os bons e os maus políticos. Por ser uma atividade puramente humana, há sempre o risco de um candidato roer a corda e mudar de lado. Esse vai e vem de interesses particulares faz com que as ideologias partidárias fiquem em segundo plano e, em alguns casos, em plano algum. Sofre a população, pois não consegue mais definir o que é direita e o que é esquerda, o que é liberal ou conservador. Sofrem os jovens, que sequer entendem o que é política. Vale lembrar que os influencers de hoje não guardam nenhuma semelhança com Sócrates e Platão.

Só a educação salva

Em meio a todo este cenário, as pessoas acabam por esquecer de um elemento fundamental, capaz de nortear suas escolhas e de melhorar este ambiente considerado tão pútrido: a educação. Culpa dos maus professores que a exemplo dos maus políticos, tornam-se ativistas e corporativistas. Não importa o viés do governo, se de direita ou de esquerda, o magistério nunca evolui, a profissão não deslancha e o país emperra. Um círculo vicioso, onde as eleições se tornam muito mais um objeto do interesse dos políticos do que propriamente daqueles que se fazem representar – o povo.

É por essas e outras que eu gosto de História. E para que você não perca as esperanças, reproduzo o pensamento de Rui Barbosa (1849-1923), autor da mais importante definição de política que já vi: De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto. O dia em que, novamente, tivermos bons professores, teremos boa política. Mas quem cuida da educação, afinal? Os políticos ou os professores?

 

 

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