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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Integridade

Por Marcos Vinicius Simon Leite

A mente humana é um composto de natureza complexa. Nela residem o desejo, a inteligência, a imaginação e a memória, conforme a definição do livro Pensamento e Vida, de 1958. Acima dessas valências, está a vontade, definida como a “gerente”, esclarecida e vigilante, a governar todos os setores da ação mental. É a vontade, portanto, que decide se devemos agir ou não, atuando como uma espécie de filtro de nossos pensamentos. Então, levando em conta tais fundamentos, entender a nossa “vontade” se torna fundamental para que sejamos íntegros. A integridade, portanto, guarda em seu conjunto de dons e valores, o verdadeiro propósito de nossas vidas.

Os dons, os desejos e as vontades

Certa feita, alguns amigos, de maneira aleatória, me disseram que eu deveria ser escritor. Fizeram isto baseados em alguma leitura, obviamente sobre algo que havia escrito. Mas eu já estava escrevendo, portanto. Porém, no pensamento deles, minhas linhas deveriam alcançar outras pessoas. Foi daí que surgiu a ideia de escrever estas colunas. Com o generoso apoio do jornal Bom Dia e sua equipe, lancei-me a esta jornada semanal. E nestes meses, os temas abordados foram os mais variados. Alguns chatos, outros talvez distantes da realidade da maioria e outros bem assertivos, por serem óbvios. Essa dissonância tem como fonte a minha própria mente, os meus pensamentos, um pouco da minha imaginação e muito de minhas memórias. Mas algo ainda me inquietava: a minha inteligência.

Inteligência e propósito

No início, tudo fluia bem, num certo equilíbrio, muitas vezes preservando determinadas opiniões. Porém, com o tempo, meu dom obscureceu um pouco da minha inteligência, dando lugar ao lado perigoso da minha mente, onde reside o desejo. Assim, escrever para alimentar o desejo, o ego, certamente me levaria à ruína, como um fantasma, a permitir o destempero e o desequilíbrio. A palavra, um vez redigida, não volta. Eis a razão do cuidado, da vigilância. Eis também, a razão de se ter um propósito, até mesmo quando se escreve uma coluna de jornal. Sem o cuidado, corremos o risco de esquecer a nossa verdadeira “vontade”. Dessa divagação toda, surgiu um “pensamento” profundo, me levando a refletir: para quem eu escrevo? A quem se dirigem minhas letras?

Quem é o leitor?

Pergunta de difícil resposta. No jornal, a gente não conhece os leitores. E esta é, justamente, a magia deste meio de comunicação. Dependendo do nosso “desequilíbrio”, as letras podem ferir, indignar, fazer refletir, chorar, relembrar, sorrir e reviver. Uma certa infinidade de sentimentos, a fluir das mais variadas formas. O jornal é, portanto, universal. Atende aos russos e ucranianos, brancos e negros, cristãos e agnósticos, entre outras variações da humanidade. Então, para não fugir do foco, para não abandonar o propósito, é preciso ser íntegro. A integridade é como uma parede dura e fria. Às vezes é preciso encontrá-la para saber, também, que para tudo na vida há limites. E é nessa hora que a vontade domina o desejo.

Integridade

Então, se você conhece suas inteligências, sejam elas musicais ou matemáticas, se tens controle dos seus desejos e se consegues imaginar os desdobramentos da sua vida, você está perto do equilíbrio. Só falta conhecer o seu propósito, a sua “vontade real”. Até porque vontade e desejo são conceitos que facilmente se confundem, e como! Quando sentimos raiva, por exemplo, inegavelmente, desejamos algo ruim, mas se nossa vontade não abriga estes pensamentos, estes sentimentos, evitamos a ação neste sentido e paramos, desistimos, preservando, assim, a nossa vontade e todos os indesejados desdobramentos da ação. Com resultado, evitamos manchar a nossa memória com algo negativo. Evitamos arrependimentos. Pois bem, caro leitor: até a próxima coluna, ficarei pensando, se revelo ou não qual é o meu propósito em escrever. Talvez escreva sobre arrependimentos. Afinal, como na obra de Emmanuel: a mente é o espelho da vida, em toda a parte. Eis porque os fins raramente justificam os meios, mas quem sou eu a contrariar Maquiavel?

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