Liberdade...
Escrevi esta coluna “antes da guerra”...
Existem certas coisas na vida que a gente só valoriza quando sente falta. A saudade, por exemplo, é uma das palavras mais lindas da língua portuguesa. Só ela tem a capacidade de sintetizar uma série de emoções e pensamentos que permeiam a chamada “falta”, seja de alguém ou de alguma coisa. Assim acontece quando partem as pessoas que gostamos, quando ficamos doente, ou até mesmo quando o dinheiro está por acabar. A saudade desperta o valor. E com a liberdade acontece a mesma coisa. Mas ela não anda sozinha.
Na História
A história da humanidade é repleta de acontecimentos onde a liberdade consistia no mais valoroso dos direitos humanos. Durante séculos foi o objeto de desejo dos homens. Das mulheres então, nem se fale! Foi assim quando o povo de Israel foi libertado do Egito, quando os Estados Unidos declararam sua independência em 1776 e em tantas outras ocasiões. Para os povos e para as pessoas, a liberdade é valorada como algo mais do que fundamental, ainda que quem a tenha, se distraia e não dê lá muita atenção. Nelson Mandela e Pepe Mujica foram presos políticos. São exemplos do que se deve fazer quando se recupera a liberdade. Por isso a consideram um direito fundamental para o ser humano. Sua retomada, portanto, deve contrariar todo movimento que o levou a perdê-la, como acontece com a saúde. Se você a perde por conta de um vício, deve mudar os hábitos quando se recupera.
Nos tempos da Revolução
Vivemos hoje uma nova luta por liberdade. A liberdade com igualdade. Não raro, surgem movimentos exigindo novas posturas. Isso acontece com toda e qualquer minoria que sofre preconceito, restrição ou tratamento desigual. Relendo um pouco sobre a Revolução Farroupilha, revisitei um episódio vergonhoso da nossa história: O Massacre dos Porongos. Coisa que dificilmente ensinam na escola. Esquecido pela gauchada, é uma mancha vergonhosa do nosso 20 de Setembro. Com a promessa de liberdade, os escravos das charqueadas eram incorporados às frentes de batalha do Exército Farroupilha. Formavam os valentes “lanceiros negros”. Porém, com o iminente término da guerra, era necessário desmilitarizar os escravos e “descumprir” o combinado, sob o pretexto de que os negros, uma vez organizados, seriam um risco à supremacia branca. Maldade preventiva. É algo como matar um semelhante para que não sofra de alguma doença grave. O resultado não poderia ter sido pior. Os lanceiros negros teriam sido traídos por seu comandante, David Canabarro. Ao desarmá-los, foram pegos “de surpresa” e acabaram mortos na chamada Batalha dos Porongos. Ressalvadas as proporções, foi uma espécie de “solução final”.
Tempos modernos
Nos dias atuais, a busca por liberdade ganha novas derivações, sendo a igualdade o valor mais defendido. Todo este movimento antropológico provoca mudanças. E é justamente neste ambiente de debate que devemos ter muita atenção. Restrições não podem servir como meio de intolerância. Tolerância, não pode ser vista como permissividade. Por esta razão, dar liberdade sem igualdade gera restrição. Então, nós, gaúchos de todas as querências, não podemos esquecer do lado feio da nossa história. Movidos por elevados ideais republicanos, protagonizamos ao final da Revolução Farroupilha, um vergonhoso evento que merece ser lembrado por todos aqueles que prezam pela cultura gaúcha. Repare então, que falta mais uma peça para se viver a liberdade em plenitude. Liberdade e igualdade não se sustentam sem a fraternidade. Passados 222 anos do térnimo da Revolução Francesa, precisamos urgentemente, incluí-la em TODAS as relações. Com ela fica mais fácil promover a igualdade. Com elas, igualdade e fraternidade, jamais perderemos nossa liberdade.