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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

No Flow!

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Este dias, final de janeiro, tinha escrito uma coluna sobre o tal Programa Flow, que até então, figurava como mais uma dessas novidades da internet. Mas por uma dessas coisas da vida, acabei publicando outras coisas que entendia serem mais importantes e deixei a coluna para outro dia. Fico resistindo falar de política. E, para minha surpresa, na retrasada o tal programa foi objeto de imenso debate, por ocasião de seu apresentador, de apelido Monark, manifestar-se de forma incompatível com sua profissão.

A coluna perdida

Tudo começou quando minha filha, que desperta para o mundo das discussões políticas e filosóficas sugeriu que assistíssemos a entrevista do pré-candidato Sergio Moro no Programa Flow. De início, foi inspirador. Não pelo conteúdo do presidenciável, o qual não pretendo discorrer, mas pelo encontro de gerações diante de um tema tão relevante e, que há anos atrás chamávamos de “o futuro do Brasil”. Meus pais, que já dobraram os 75, minha filha, com 15, minha esposa e eu. Na plateia de casa, três gerações absolutamente diferentes. Curiosamente, a conclusão foi uníssona e é disto que quero falar. Não nos chamou atenção as palavras do Sergio Moro, suas ideias e seus princípios, até aqui inquebrantáveis. Nos chamou atenção a vulgaridade dos apresentadores.

Novos tempos da comunicação

Sergio Moro foi entrevistado longamente por duas figuras influentes da internet. As perguntas formuladas foram muito assertivas e provocantes, o que não seria muito comum de ver em programas tradicionais da televisão. Ponto para a plataforma. Mas chegou um momento em que a intimidade dos apresentadores condenou o programa. Foi quando eles começaram a falar como adolescentes. Termos juvenis e bagaceiros, entre outros que a gente costuma ouvir nos corredores de um ensino médio. Era esquisito demais, ver um postulante ao cargo de presidente da República, conversando educadamente com dois bons entrevistadores, mas completamente abobados na forma como se comunicavam. Isso desqualificou, não a entrevista em si, mas a esperança de quem assistiu comigo.

Liturgia do cargo

Há tempos superamos as falsidades e aparências. Felizmente, a internet e as novas plataformas permitem que as pessoas se expressem como elas realmente são. Porém, mesmo tendo convivido por muitos anos com jovens quando era professor, as chamadas liturgias da vida sempre foram e mereceram ser respeitadas. E, diante do que assisti – e já recomendo que assistam, me deu uma má impressão: se continuarmos assassinando as instituições, as liturgias e certos limites que a seriedade da vida requer, chegaremos ao momento em que, por exemplo, ao reclamar algo para um servidor público, por uma demanada não atendida, ouviremos um bom e sonoro “foda-se”! Pior, será por meio de uma mensagem, no seu aplicativo, dizendo: você se ferrou! Tente mais tarde! Assim não dá. É preciso mais equilíbrio ou estaremos desgovernados em breve. Peço até desculpas ao leitor pelo uso destes termos.

Deu ruim

Duas semanas depois de escrever, decido requentar minha coluna guardada. Surge então toda esta polêmica envolvendo as declarações de um dos entrevistadores. Infelizmente, a impressão que tive quando assisti a entrevista do Sergio Moro, se confirmou. Entrevistadores que mais parecem entrevistados. Linguagem descolada e despretensiosa. Gente que se acostuma a falar o que quer, por não saber o que diz. Isso sim é perigoso, porque de uma hora para outra, se tornam formadores de opinião. O nazismo ocorreu há menos de um século. A via dolorosa há dois mil anos. Não há nada mais terrível que se possa ser comparado ao genocídio capitaneado por Hitler. Este foi o auge da maldade humana. Nem o ataque das Torres Gêmeas se compara ao Nazismo. Assim, qualquer centelha que se diga em favor deste absurdo, merece ser rechaçada, sem agressividade, mas com total rigor. Fica a dica aos jovens: estudem, leiam, questionem! Sejam respeitosos! A sabedoria não está na novidade, está na História.

 

 

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