O melhor Natal da minha vida
Ao longo de todos esses anos da minha eclética existência, vivenciei muitas coisas em relação ao Natal. Vivi momentos da infância, juventude e idade adulta. Teve até um Natal na beira da praia, que passei com um velho amigo. Tive momentos em família, com um, depois dois e agora com três filhos. Foram vários, mas em especial, dois deles marcaram a minha vida, um na infância e outro em 2010.
Capela de São Brás
O Natal da minha infância se passou quando eu tinha oito anos, em 1982. Naquele ano eu efetivamente vivi o espírito natalino e aprendi que o conjunto da celebração envolve, necessariamente, Cristo. Eu morava em Porto Alegre, quase zona rural e próximo de onde vivíamos, cerca de uns cinco quilômetros, vencidos em estrada de terra batida, havia a pequena capela de São Brás, já no bairro da Ponta Grossa. E lá, durante várias tardes ensolaradas de dezembro, ensaiávamos para o presépio vivo. Meu papel era o de pastor. Meu vizinho, Alexandre, era o Anjo Gabriel e sua irmã, Elisa, representou a Virgem Maria.
Todo aquele ambiente, aquele trabalho de ensaio, até chegar a data da missa de Natal, foi criando uma atmosfera cristã muito presente em mim e nos demais. Lembro até hoje de minhas vestes e do chinelo de couro, que me ambientavam naquela cena com um cajado de pastor. E aqueles dias que antecederam à noite de Natal fizeram com que eu aprendesse o verdadeiro significado, ao menos para mim, do que representava a vinda do Cristo. Com isso, aquela ansiedade de fim de ano, tão comum às crianças e, que eu também vivera em anos anteriores, nada daquilo fazia mais sentido. Tudo era paz. A apresentação foi inesquecível e emocionante. Quando voltamos da missa, extasiado, com o sentimento de dever cumprido, meu pai havia presenteado, a mim e meu irmão, cada um com uma bicicleta nova. A Monareta azul, que eu dividia com meu irmão e que me levava aos ensaios, era finalmente aposentada. Adeus freio a tambor. Cumpriu seu papel. Mas confesso que participar da missa foi infinitamente mais marcante do que ganhar a tão sonhada Caloi Cross. Quem é daquele tempo lembra do chavão: não esqueça a minha Caloi! O meu irmão ainda tem a Caloi 10 dele.
Padre Décio Bona
Depois desse tempo, em que usávamos Kichute e vivíamos livres, o segundo Natal mais marcante, foi quando meu amigo, Padre Décio Bona, participou da ceia de Natal com minha família depois que rezou a missa de Natal na Paróquia Dom Bosco. Era bom demais ter um padre conosco. Ninguém costuma lembrar deles quando se está na ceia. Não é verdade? Eis que, no avançar da noite, Padre Décio pede a palavra e anuncia: Pedro está entre nós! Fez-se um silêncio. Não havia nenhum Pedro na sala. Pela voz do inesquecível amigo Padre Décio, na noite daquele 24 de dezembro de 2010, com a mão sobre o ventre da minha esposa, era anunciada a chegada de nosso filho Pedro, que nasceu em 11 de agosto de 2011. Ficamos, de início, incrédulos, mas lembrei muito daquela noite na Capela São Brás, quando o Anjo Gabriel anunciou a vinda de Jesus. Que privilégio!
Natal é Cristo!
Por essas e outras é que o Natal é data tão especial. No meu caso, só foi especial quando efetivamente eu busquei Jesus, de alguma forma, seja numa apresentação teatral, seja convidando um amigo sacerdote. Toda essa conversa pode parecer carolice. Pense o que quiser. Cada um tem sua história de Natal e eu só queria compartilhar que quando a gente busca a essência desse dia, as recompensas são eternas. Saudades da capela de São Brás e de meu amigo Décio Bona. Feliz Aniversário, meu querido Jesus Cristo! Feliz Natal!