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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Quando menos é mais

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Acho que você já ouviu falar disso antes. Eu também. Na vida, há muitas situações em que menos é mais. Por exemplo: esses dias, meu filho Pedro chegou em casa com o boletim da escola. Meio sestroso, me disse: é pai, não tem muita nota dez. Plenamente satisfeito com o fruto, eu respondi, que menos é mais e ele ficou me observando. Aproveitei e expliquei outro ditado: o ótimo é inimigo do bom.

O custo do mais

Na vida, há sempre situações em que menos é mais. Veja você, se for lavar o carro. Se usar menos água, é um legítimo caso de menos é mais. Terás mais economia e mais preservação ambiental, se ao invés de usar a mangueira, usar um balde com água. Coisa simples, como tudo na vida. Mas o que me faz pensar neste teorema de costume cotidiano é justamente o custo e o risco que se corre, quando se pretende ser perfeccionista ou mesmo alcançar outros patamares de exigência. Às vezes, por um ganho a mais, por um reconhecimento a mais, coloca-se em risco tudo o que já se conquistou. E será que vale a pena?

O risco do ótimo

Veja o exemplo do Airton Senna. Segundo o documentário sobre a vida do corredor Michael Schumacher, Senna já poderia ter “se aposentado”, mas insistiu na carreira. Parecia atormentado pela presença do novo rival até que a mureta da Tamburello apareceu em sua frente, naquele fatídico 1° de maio de 1994. E Senna sempre quis ser ótimo. Contemporâneo dele, Rubens Barrichello, sempre quis ser bom e acho que conseguiu. Eis a diferença. Mas o que devemos estar atentos, é que junto desse esforço em rumo à perfeição, além do custo, há também o risco. O risco que o Senna não pôde abrir mão e o risco que Schumacher também não abriu. São fatores presentes na vida dos perfeccionistas e dos amantes do risco. No dia do seu acidente, o alemão disse que a neve não estava boa para esquiar e que era melhor ter pego o avião e ido saltar de paraquedas em Dubai. Não deu tempo. Outra fatalidade.

Fogos de Artifício

E agora, quando o ano se encerra, começam as tradicionais mobilizações para as festas de fim de ano. Novamente, entra em cena o bom e o ótimo, oportunidades em que menos é mais. Vale para o que você vai servir na ceia ou o que vais beber e vale também para a forma com que você vai comemorar. E, se você é mais um daqueles que gostam de barulho, daqueles fogos de artifício que simulam tiros e atentados à bomba, todo o cuidado é pouco. Não vou nem falar dos pets. Esse é um dia em que eles sucumbem aos donos. Não há como imaginar uma virada de ano sem fogos de artifício, não. Eles são o símbolo da esperança no novo ano. Mas para tudo há de se ter cuidado. Sou admirador daqueles fogos coloridos, mas não gosto daqueles que simulam atentados. E na hora da manipulação dos fogos, com aquela euforia, com a bebida já circulando no sangue, um pequeno exagero ou imperícia e o ótimo vira inimigo do bom e pode ser parceiro do mal.

Menos é bom

Vivenciamos nesses dias, o julgamento da tragédia da Boate Kiss. Um episódio emblemático na história da humanidade e, infelizmente, um verdadeiro exemplo de quando o ótimo é inimigo do bom, de quando menos é mais. Malditos fogos. Não tivessem soltado fogos de artifício, dentro de um ambiente fechado, nada disso teria acontecido. Absolutamente nada. Um detalhe apenas. Um capricho e um custo emocional incalculável, sem precedentes. Portanto, seja solidário com o sofrimento de centenas de famílias. Se não gosta de gente, então pense nos animais. Quando fores comemorar teu ano novo, ou qualquer outra façanha, seja prudente nos meios e não esqueça que menos é mais.

 

 

 

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