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Saúde

Especialista alerta que é preciso tratar a psoríase e o preconceito da doença

Dermatologista Elisiane Magnabosco fala sobre patologia que afetaem torno de 3% da população mundial

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Por Izabel Seehaber - izabel@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

Neste mês de outubro celebra-se o Dia Nacional e Mundial da Psoríase (29), momento que reforça o debate sobre a doença que, segundo um estudo da USP, atinge em torno de 3% da população em todo o mundo. Mesmo haven

do uma data especial, a dermatologista de Erechim,Elisiane Magnabosco ressalta que a conscientização deve ser permanente.

Como a pele é o órgão mais exposto do corpo humano, qualquer doença ou mancha costuma chamar atenção e muitas vezes assustar as pessoas. Infelizmente a realidade é que o preconceito gerado pelo desconhecimento pode agravar muitas das doenças que atingem a pele. É o caso da psoríase.

De acordo com a médica, a psoríase é uma doença crônica em que ocorrem inflamações na pele e também pode atingir outros órgãos, dentre eles, as articulações. Sendo assim, alguns pacientes podem desenvolver com o passar do tempo, a artrite psoriátrica. Além da pele, em diversas partes do corpo, a doença também pode se manifestar nas unhas e no couro cabeludo, por exemplo.

“A lesão mais comum é a psoríase em placas em que ocorrem lesões vermelhas, escamativas, por vezes confinadas em locais mais típicos como cotovelos, joelhos e pode, dependendo da gravidade, acometer todo o corpo.Há também subtipos de psoríase, tais como a postulosa, palmoplantar, que não são tão frequentes, mas podem acometer, inclusive crianças. No entanto, a doença é mais comum em jovens adultos. A maioria das pessoas desenvolve a doença antes dos 40 anos”, explica.

Origem da doença

A doença não tem cura, é crônica e tem uma base genética envolvida. Hoje estão à disposição mais tratamentos modernos, mesmo que com custo mais elevado, mas que podem auxiliar no tratamento de forma mais eficaz e sem tantos efeitos colaterais, tais como os imunobiológicos – medicações que agem exatamente no processo inflamatório.

“Além do fator genético que está envolvido, quer dizer, pacientes que tem na família outras pessoas que enfrentam a doença, há também os fatores ambientes, tais como o stress, o alcoolismo, o tabagismo, a questão climática, ambiental, locais mais frios, a umidade relativa do ar”, relata.

Sinais de alerta: aparecimento de lesões avermelhadas, normalmente sem sintomas. Já no couro cabeludo há coceira e nas unhas, pode haver descolamento, a unha pode ficar “oca”, de cor amarelada.Também há a psoríase que surge na palma das mãos, que também pode ser confundida com uma alergia.

A especialista comenta que além da cronicidade, se a doença não for tratada, o paciente pode sofrer o impacto social, estético. Algumas pessoas se sentem retraídas, intimidadas devido às lesões. Noentanto, a consequência mais grave é a artrite psoriátrica, a qual gera dor, inchaço, dificuldade de movimentação e por vezes, começa nas mãos, unhas, tornozelos.Então a atenção deve ser redobrada, para que isso não gere uma limitação de locomoção.

Tratamentos

A dermatologista destaca que muitosremédios se tornam muito clássicos e efetivos, um deles é o uso do corticoide tópico para passar no local da lesão, os shampoos e os casos mais graves há necessidade de um tratamento sistêmico, com medicamentos de ingestão.

O período de tratamento, por ser uma doença crônica, deve ser bem organizado e o dermatologista deve acompanhar diretamente.O paciente deve evitar o uso de medicamentos sem a orientação médica, pois isso pode trazer danos sérios à saúde.

Orientação aos pacientes

A médica salienta a importância de conhecer o problema e as formas de controlar a doença, o que geralmente diminui a ansiedade e auxilia o tratamento. Outro fator é a não desistência, pois alguns pacientes se frustram nas primeiras tentativas de combater a doença.“Devido a gama de produtos que existem, conseguimos adequando a terapia aos pacientes”, completa.

Outra dica é ter hábitos saudáveis, pois muitos pacientes acabam associando a doença à hipertensão, diabetes, obesidade. Quando o organismo está em equilíbrio, é mais fácil de controlar a doença.

As fontes de aguas termais também auxiliam no tratamento. Vale destacar que não é uma doença contagiosa.

A maioria dos medicamentos não devem ser usados durante a gestação e em contraponto, a doença tende a amenizar nesse período.

Pesquisa

Estudo recente coordenado pelo Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto mostra que a psoríase pode levar o paciente a manifestar sintomas de depressão e fobia social.

Neste trabalho da USP, 63,7% dos participantes tiveram a qualidade de vida impactada negativamente pela doença; sendo que 54,1% apresentaram sinais de ansiedade e depressão. A amostra, segundo a divulgação da pesquisa, foi de 300 pacientes das regiões Norte, Sudeste e Sul do Brasil.

Tratar a psoríase é fundamental para uma boa gestão da doença e da saúde em geral. É possível, com um trabalho conjunto entre médico e doente, encontrar um tratamento que reduza ou elimine os sintomas.

O que a sociedade deve compreender é que os pacientes podem conviver em sociedade.

 

 

 

 

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