O sábado (29), amanheceu com um clima de medo e tensão entre os moradores de Erval Grande, cidade a 50 quilômetros de Erechim e com pouco mais de cinco mil habitantes, que acordaram durante a madrugada, ao som de tiros e a explosões de dinamites, colocados por uma quadrilha formada assaltou uma agência do Banrisul no pequeno munícipio e durante o ataque assassinou um polícia militar.
O grupo de criminosos que estava fortemente armado, segundo vizinhos do banco que fica no centro da cidade, após dominar os policiais, fugiu do local com pistolas utilizadas pelos soldados.
No fim da manhã, policiais militares e civis, auxiliavam o trabalho de peritos, que buscam entender como a situação ocorreu. Bem próximo alguns moradores, muitos que moram a poucos metros do local, acompanhavam o trabalho e entre si comentavam o que haviam visto na madrugada.
Com medo, os moradores pediram para não serem identificados, mas contavam sobre o forte barulho de tiros. “Foi assustador. Ouvimos centenas de disparos e em seguida dois estouros de bombas que tremeram as casas próximas”, relatou o morador.
Bastava caminhar na calçada para ver as marcas da madrugada violenta ainda na parede das casas. Em uma das residências a moradora me mostra as marcas provocadas por uma bala de fuzil, que atravessou a porta de sua residência e atingiu uma imagem em gesso, que despedaçou com a força do impacto do tiro.
Entre os relatos a história do barulho de tiros e explosões de repetem “Foi coisa horrível nunca imaginei ver isso, em um intervalo de cinco a sete minutos ouvi duas explosões”, contou um comerciante local.
O empresário Liliano Lopes, que está a trabalho na cidade, conta que acordou após uma das explosões da agência bancaria, ele relatou os momentos de terror vividos pela população. “Foram mais de 50, 100 tiros que deixaram a frente da agência bancaria parecendo uma praza de guerra”, relatou o empresário.
Tragédia
Antes do dia amanhecer dezenas de policiais, vindos de cidades da região norte, principalmente de Erechim e Passo Fundo, chegaram ao local para iniciar uma caçada aos assaltantes que fugiram em uma caminhonete Fiat/Strada, de cor branca que foi localizada por volta do meio dia e uma estrada de terra, próximo a uma balsa do Rio Uruguai, que faz a divisa do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Ainda na madrugada eles olharam imagens de câmeras de empresas próximas ao banco.
Conforme relato dos polícias alguns vídeos mostram a viatura da Brigada Militar, com os dois policiais, retornando da ERS-480, após a primeira explosão e sendo surpreendida pelos criminosos que atiraram utilizando armamento de grosso calibre.
Dentro do veículo estava o brigadiano, João Marcelo Borges Desidério, de 43 anos, terceiro, sargento da Brigada Militar, ele foi socorrido e levado para Hospital de Erval Grande e posteriormente para Fundação Hospitalar Santa Terezinha em Erechim, local que faleceu. De acordo com os policiais ele levou dois tiros no abdômen.
Ainda de acordo com a Brigada Militar os suspeitos teriam utilizado ao menos dois fuzis calibre 556, armamento que a polícia acredita ter sido usado para ferir o sargento, que utilizava colete à prova de balas.De acordo com os policiais que atenderam a ocorrência, o calibre usado pelos bandidos não seria suportado pela proteção balística.
Ao lado de Desidério na viatura estava o policial militar, Valdecir Golfetto, também terceiro, sargento da Brigada Militar, ele entrou em estado de choque e precisou de atendimento médico.
Durante o dia também foi utilizado um helicóptero, pertencente Grupamento Aéreo de Policiamento Ostensivo (GUAPO). Até a postagem desta matéria ninguém havia sido preso.
Adeus soldado
Conforme a família, o corpo do 3° sargento, João Marcelo Borges Desidério, será velado e sepultado em sua terra natal a cidade de Alegrete, na fronteira oeste, de onde saiu em 2009 para trabalhar no 13° Batalhão da Polícia Militar (13°BPM) em Erechim.
De acordo com informações recebidas pela reportagem, o corpo que foi levado para Instituto Médico Legal (IML), em Passo Fundo, chegou à Erechim no início da tarde para ser preparado para a viagem.
Uma caminhonete da Brigada Militar, deve fazer o transporte até Alegrete, familiares e amigos particulares, seguirão também em um ônibus da Brigada Militar até a cidade da região oeste.
Ele estava na cooporação desde 1993 e faria 23 anos, na Brigada Militar no mês de dezembro.
A Brigada Militar informou através de sua assessoria de comunicação que o velório ocorrerá na Funerária Santa Clara, Rua General Sampaio, centro, próximo à estação rodoviaria de Alegrete e o sepultamento ocorrerá neste domingo, 30 às 10h30min, no Cemitério Municipal da mesma cidade.