Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável em todo o mundo, responsável por cerca de cinco milhões de mortes por ano. A OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, um bilhão e 200 milhões de pessoas sejam fumantes. O tabagismo é responsável por 200 mil mortes por ano no país. O consumo de tabaco está associado a doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral, doença pulmonar obstrutiva crônica, aborto em gestantes, envelhecimento da pele, câncer de pulmão e outras neoplasia. Também é fator de risco para infecções respiratórias, osteoporose, distúrbios reprodutores, diabetes, úlceras gástricas e duodenais.
Deixar de fumar não é uma tarefa fácil. É preciso dedicação, muito esforço e, acima de tudo, apoio. No bairro São José, alguns fumantes estão encontrando este apoio no grupo contra o tabagismo formado na Unidade Básica de Saúde São José, criado há dois anos, e que, apesar de ainda ser novo, já começa a colher frutos. Segundo estimativa da médica Viviane Giaretta Durante, que integra a equipe de profissionais que atua no Programa de Controle do Tabagismo, de 50% a 60% das pessoas que frequentaram as reuniões e fizeram o tratamento conseguiram largar o vício.
TRATAMENTO EXIGE DEDICAÇÃO
A médica Viviane Giaretta Durante, juntamente com a psicóloga Márcia K. Secco Fernandez e a enfermeira Tatiane Novelli de Oliveira, responsáveis pelos grupos, informa que o Programa Nacional de Controle do Tabagismo é desenvolvido pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), que trabalha em três linhas: uso de terapia cognitiva comportamental, que tem como objetivo a detecção de situações de risco que levam o indivíduo a fumar, e o desenvolvimento de estratégias para o enfrentamento dessas situações, visando não só a cessação do tabagismo, mas também a prevenção de recaídas através de mudanças de crença, pensamento e hábitos comportamentais. A segunda linha é o uso de terapia medicamentosa, com medicamentos para o tratamento do tabagismo - comprimidos, adesivos de reposição de nicotina e chicletes de nicotina - fornecidos pelo Ministério da Saúde; e, finalmente, a motivação do paciente para largar o vício, através do trabalho em grupo, onde são oportunizadas troca de experiências entre os participantes, e ajuda mútua, uma vez que todos passam pela mesma situação.
O programa funciona da seguinte forma: as turmas passam por uma avaliação na primeira reunião. Elas são consultadas individualmente pela médica, que define se devem tomar o comprimido ou usar o adesivo. Daí em diante, encontram-se semanalmente para falar do progresso. No segundo mês, os encontros são quinzenais e, no terceiro mês, os encontros são mensais. Já existe a proposta de criar grupo de manutenção até 12 meses. “Um ano já é suficiente para o indivíduo conseguir viver sem o cigarro", afirmam as profissionais.
A enfermeira Tatiane Novelli de Oliveira diz que há casos de desistências, mas que elas são associadas a dificuldades, como situações de estresse, ansiedade ou angústia que dificultam largar o tabagismo. Para conseguir superar estas barreiras, a psicóloga Márcia Fernandez destaca a necessidade de apoio. “O apoio da família é fundamental para conseguir largar”, afirma. O grupo de discussão funciona como um complemento a este trabalho que deve vir de casa e da força de vontade do paciente. “É uma trabalho muito satisfatório quando a gente vê o resultado”, diz Márcia.
As profissionais explicam ainda que a vontade de parar de fumar é o primeiro passo para o sucesso do tratamento. "O primeiro passo que consideramos mais importante de todos é querer parar de fumar, porque não adianta querer fazer um tratamento se não tiver uma vontade. O tabagista quando está com vontade de parar de fumar pode procurar uma Unidade Básica de Saúde e falar que quer parar de fumar”, ressaltam. Em Getúlio Vargas há grupos também nas UBSs Central e Navegantes. São três grupos por ano que iniciam em Janeiro, Maio e Setembro.