Os mais de 42 mil brasileiros que esperam por um órgão sabem o quanto é difícil encontrar o doador ideal. Embora o país tenha o maior sistema público de transplantes do mundo, com mais de 20 mil cirurgias realizadas anualmente, o Brasil ainda está abaixo da meta de 16 doadores por milhão, segundo levantamento do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde.
Para ressaltar a importância do assunto, os hospitais de Erechim realizam assiduamente ações de reflexão sobre o tema, considerando que ontem (27) foi celebrado o Dia Mundial da Doação de Órgãos.
No Hospital Santa Terezinha, integrantes da Comissão de doação de órgãos, distribuíram material informativo sobre o processo de doação e também uma fita verde, simbolizando a campanha.
A psicóloga Luana Gasparetto Fontanella e a assistente social Aline Bresolin Lopes Pereira salientam que o assunto é comentado durante todo o ano.
"Realizamos treinamentos internos, capacitações em empresas, palestras em escolas, blitz com a polícia, entre outras ações para atingir o maior número de pessoas para que haja essa reflexão se há o interesse em ser doador ou não. Sabemos que é um momento difícil para a família em ter que tomar uma decisão, então, é importante que se comente sobre isso com os familiares. Cada doação geralmente pode beneficiar várias pessoas, mas tentamos acolhe-los e respeitamos a decisão", reforçaram.
A carência de conhecimento foi citado pelas profissionais como um dos principais desafios a serem enfrentados no momento.
No hospital de Caridade, as psicólogas Sabrina Brusco e Carina Balvedi Leandro reiteraram que a doação de órgãos é uma campanha que deveria ser permanente na sociedade. "O país conta com um dos melhores sistemas de transplantes do mundo e ao mesmo tempo, não há uma campanha efetiva", destacaram.
Ao mesmo tempo, elas orientam que para doar é preciso avisar a família. "É um tema relevante e por isso valem os debates. Desde 1997 existe a lei dos transplantes que rege todo o processo. A questão dos transplantes já evoluiu muito, desde o conhecimento até a legalização", citam.
Desafios
De acordo com o presidente da Associação Brasileira Transplantes de Órgãos, Dr. Roberto Manfro, a doação de órgãos ainda é um tabu no Brasil. "Neste ano, mais de 40% das famílias não consentiram com a doação dos órgãos de seus familiares com morte encefálica. Isso significa que mais de três mil transplantes não foram feitos no país", explica.
Os números, de fato, são alarmantes e revelam também o desconhecimento dessa realidade. "Nós temos dezenas de milhares de pessoas esperando por um órgão a ser transplantado. A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos tem como objetivo principal educar a população e instrumentalizar a sociedade no sentido de o quão importante é a doação e o quão importante são os transplantes", complementa o executivo da ABTO.
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