14°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Opinião

Mudanças climáticas - Parte 6

“Vem aí a COP 28 – novos acordos, novos compromissos?”

teste
Roberto Ferron
Por Roberto Ferron - Engenheiro Florestal

De 30 de novembro a 12 de dezembro próximo, Dubai nos Emirados Árabes sediará a COP 28, a Conferência de Mudanças Climáticas da ONU, que reunirá os representantes de todo o planeta. As expectativas é que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) avance em ações mais concretas do que na COP 27. A discussão deverá girar em torno do Acordo de Paris, que tem como finalidade “limitar a elevação da temperatura do planeta a 1,5ºC até 2.050.

O último relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) apontou que em 2020, a concentração de CO2 na atmosfera bateu mais um recorde, apesar da queda nas emissões de combustíveis fósseis devido a pandemia de Covid-19. A concentração atingiu 413 partes por milhão (ppm) em 2020, 149% a mais do que os níveis pré-industriais (antes de 1750).

A cada ano, mais de 30 gigas toneladas de CO2 são liberadas na atmosfera da Terra, este que é a principal fonte dos gases de efeito estufa que contribuem para a mudança climática. A maior parte desses gases provém do uso de combustíveis fósseis, da geração de energia por meio de canais não renováveis e de atividades humanas poluidoras.

Nem todos os países enfrentam o mesmo nível de responsabilidade em relação à crise climática. Os maiores poluidores não conseguirão atingir a neutralidade carbônica apenas reduzindo suas emissões domésticas. Eles precisarão compensar grande parte de sua pegada de carbono nos mercados internacionais de carbono.

O mercado global de crédito de carbono gerou US$ 1 bilhão em transações. Os dados fazem parte de um estudo da McKinsey. Para 2030, a estimativa é que o mercado alcance US$ 100 bilhões no mundo. “É um mercado que não atraía tanto interesse do capital internacional, mas depois da COP 26 a procura explodiu”, afirma Henrique Ceotto, sócio líder de Prática de Sustentabilidade da McKinsey.

O Brasil que está longe de ser um grande poluidor, e pode ter um “novo pré-sal” no horizonte por seus atributos naturais. No ano passado, em nosso país o mercado de crédito de carbono movimentou US$ 25 milhões, o equivalente a 17 milhões de toneladas de carbono capturados e convertidos em crédito. O Brasil tem potencial único de liderar a economia verde. O país pode gerar de US$ 20 bilhões a US$ 100 bilhões em crédito de carbono, mas ainda é preciso regular esses títulos no país. Falta uma legislação que regule a atividade, a qual tramita no Senado.

Em nosso país, a origem dos créditos tem perfil diferente do que o observado no restante do mundo. Globalmente, 50% dos créditos são gerados em florestas, 25% vêm de fontes de energia renovável e 25% de outras fontes – como a troca de fogão a lenha por gás, o que gera créditos em países da África e dos Andes. Aqui, 67% dos créditos são gerados em florestas e 30% em atividades agrícolas. O restante vem da conversão de resíduos em energia (como o uso de lama de esgoto ou dejetos de animais para a produção de biogás).

Pelo que acompanhamos nas COPs passadas, com exceção do último governo, o Brasil sempre foi o “patinho feio da história”, tido como “grande poluidor, destruidor e queimador de suas florestas, poluidor das águas, entre outras pechas negativas”. Na verdade, o Brasil sempre foi com uma posição medíocre, acanhada, acovardada diante dos países evoluídos – os maiores poluidores. Nunca se impôs por falta de competência de quem nos representava.

Vamos acompanhar para ver o que os nossos governantes vão levar para discussão e reivindicações? Vamos acompanhar e ficar de olho para ver o que os nossos ambientalistas vão falar a respeito do Brasil? Vamos ver o que falarão sobre o agro brasileiro?

Publicidade

Blog dos Colunistas