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Opinião

Aproximações entre Roma e a memória cultural

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Por Henrique Trizoto - Coordenador do Arquivo Histórico

Durante a leitura da obra "Espaços de Recordação formas e transformações da memória cultural" de Aleida Assmann, deparei-me com a citação: "Assim como muitos caminhos levam a Roma, muitos levam à Memória: caminhos teológicos, filosóficos, psicológicos, históricos, sociológicos, caminhos ligados aos estudos de literatura, arte, mídia". Em primeiro momento, ela pode até passar despercebida pela sua simplicidade. 

Todavia, é aí que reside sua complexidade, a amplitude da comparação do acesso à memória e a Roma. Um exercício empírico pouco usual. Pensar a respeito das dimensões da memória enquanto campo transdisciplinar (cada área apresenta explicações que não precisam dialogar entre si) e interdisciplinar (o diálogo entre as áreas amplifica sua compreensão) do conhecimento, nos permite trazê-la para a realidade de um Arquivo Histórico.

Este processo fica tangível a partir do momento em que acessamos algum documento histórico que ilustra / reconstrói / narra um determinado evento que ocorreu em uma comunidade. Aqui reside um ponto de divergência acerca do olhar sobre os elementos que constituíram este processo.

Se, por um lado, ele pode ser visto sob a ótica da mnemotécnica (arte da memória) amplamente utilizada desde a antiguidade por pessoas que hoje assumem a alcunha de memorialista, cuja atuação busca preservar uma história feita de grandes batalhas e repletas de heróis, memorando aquilo que "deve" ser servido enquanto banquete à geração atual e às vindouras. Por outro lado, historicizar estes processos a partir da compreensão da memória enquanto elemento capaz de produzir / moldar / construir identidades (no plural), nos leva a ultrapassar a mnemotécnica. Pois trazemos ao debate questões que necessitam ser respondidas para produzir análises mais completas.

Quando, como, em que cenário, sob que circunstâncias, quem estava interessado e porque estava interessado, são exemplos de questões pertinentes à análise de um determinado objeto de pesquisa. Cabe aqui salientar, que uma coisa não inviabiliza a outra. A mudança de paradigma contribui para o aprofundamento dos debates e da consolidação do campo enquanto ciência.

 

Referências: ASSMANN, Aleida. Espaços da recordação: formas e transformações da memória cultural. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2011.

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