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Saúde

Hoje nosso assunto é ansiedade, o mal do século

Psicólogo Clínico Paulo Kautz destaca os seus sintomas e os tempos modernos

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Por Carlos Silveira
Foto Arquivo BD

         Quem não teve ou diz que não vai ter que atire a primeira pedra, pois hoje, a ansiedade faz parte da rotina de toda a população mundial, independentemente da idade. Seja por infinitos motivos ela aparece em um momento de nossas vidas, mas quem explica melhor é o psicólogo clínico Paulo Kautz que descreve as suas características e sintomas.

Antecipar as defesas

 Conforme Kautz, a ansiedade se caracteriza por antecipar defesas dos perigos reais ou imaginários das pessoas, marcado por reações psicológicas e orgânicas que geram desconforto, inquietação, sensações de medo e descontrole generalizado, de vazio estomacal, insônia, taquicardia, pressão no peito, sufocação, falta de ar, enrijecimento muscular, entre outros sintomas.

“A ansiedade revela um estado interno e comportamental de pressa e necessidade de eliminação imediata daquilo que está gerando angústia e sofrimento. A dificuldade de relaxação é sempre presente, bem como a inquietação emocional. Pessoas muito ansiosas costumam antecipar situações futuras preocupantes, como forma antecipada de encontrar resoluções de problemas que ainda não estão existindo ou até que podem não acontecer”, garante.

Reconhecer

Para tanto, quando se depara com alguns destes sintomas, alerta que se faz necessário identificar e reconhecer os que fazem parte da ansiedade, pois somente assim poderão as pessoas com ansiedade aprender a administrar e constituir recursos evitativos do sofrimento. “É importante esclarecer que a ansiedade, em pequenas manifestações não são de todo ruim, as vezes até essencial, haja vista que a ansiedade em dosagem natural nas pessoas, podem ser mobilizadoras como instrumento para lidar com as questões do cotidiano, gerando motivação, incentivo as realizações, busca do prazer, percepção de sinais de alertas a perigos iminentes como proteção”, pontua.

Fazer a diferenciação

 Kautz reforça que também se faz necessário fazer diferenciação sobre sintomas da ansiedade e Transtorno de Ansiedade, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Ansiedade Generalizada, Transtornos induzidos por substâncias psicoativas, etc. “Estes transtornos influenciam diretamente na vivência pró-ativa das pessoas, são considerados patologias psicológicas interferindo no desempenho profissional, nos vínculos amorosos, de amizade e familiar, causando sérios prejuízos no comportamento e na estrutura psicológica, impossibilitando de ter uma vida normal, imobilizando o desempenho natural das pessoas em suas atividades”

Kautz ressalta, ainda, que a ansiedade natural ou a ansiedade nos Transtornos tem diferenciação em intensidade, frequência e o real prejuízo ao enfrentamento cotidiano das questões que a vida nos traz. “Assim, é necessário compreender a vida moderna como está se apresentando, numa sociedade de consumo exacerbada, de manipulação do “objeto de satisfação” na busca de uma felicidade ilusória, produzindo processos psicológicos de alta frustração, pelo encontro de algo buscado que não preenche as verdadeiras necessidades internas do ser, pois não partiu de seu desejo subjetivo e sim de uma falsa promessa social massificada de felicidade”.

“Desejar”

 Nessa compreensão do movimento na estrutura social, ressalta que se esvai os sentidos da vida, incorpora o desvalor a vida e se renuncia ao “Desejar”, não encontrando o legítimo sentido do prazer/vida, causando além da ansiedade, o aumento dos fatores de stress, que tem base na intolerância às diferenças e aos diferentes, bem como na pressa e na busca de um esperado alto desempenho”. 

 

Modus de vida”

“A baixa tolerância às frustrações, as decepções e insatisfações, também são parceiras patológicas da depressão que se associam a ansiedade e ao stress.  Cabe a todos nós, que queremos uma vida melhor, com mais sentidos a existência, repensar este “modus de vida” que estamos escolhendo, repetindo e avalizando como detratores da condição de vida digna, natural e menos patológica. Menos selfies, muito mais apelo as relações humanas, o que nos faria sentir sempre mais humanos”, finaliza.

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