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Opinião

Sobre a Preservação do Patrimônio Arquitetônico de Erechim

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Por Gustavo Schmidt - Advogado

Antes de adentrar ao tema proposto no título do artigo faço questão de frisar que não sou arquiteto, engenheiro e tampouco tenho conhecimentos específicos no tocante às áreas citadas.

Em verdade sou apenas um mero observador da riqueza e da beleza arquitetônica consubstanciada nos inúmeros prédios que compõe nossas ruas e avenidas, mais especificamente aqueles que estão localizados na zona central do município. Admiro e aprecio os prédios e casarios outrora construídos e os detalhes ricamente neles empregados, os quais integram o vasto patrimônio arquitetônico e cultural da Capital da Amizade.

Porém, ao contrário do que poderia supor o leitor, não levantarei bandeiras sobre a necessidade ou o dever de se manter preservada a existência ou a integridade de tais prédios. Não. Isso é feito reiteradamente e, aliás, de forma qualificada e competente por profissionais que estudaram para isso e que se dedicam a este mister, o que não é meu caso.

A bandeira que quero erguer é outra: me surpreende que as sucessivas administrações municipais permitam que se perpetue a verdadeira poluição visual que grassa em nossas ruas e avenidas. Entendo que preservar o patrimônio arquitetônico não é apenas manter o prédio estruturado, pintado e conservado. Preservar o patrimônio é não permitir que sobre um prédio centenário e de inestimável valor histórico se afixem placas ou painéis ridículos e de notório mal gosto, usualmente feitos de lona, apresentando cores berrantes e, é claro, ostentando o nome ou a marca do estabelecimento comercial do qual fazem parte.

Nossas avenidas - guarnecidas por belíssimos prédios - se transformaram num gigantesco outdoor. Uma placa horrorosa colada n´outra. Um mau gosto desmesurado seguido por outro pior. Um festival de bizarrices. Um passeio pela Avenida Maurício Cardoso na companhia de um pouco de atenção elucida exatamente o que digo. Poder-se-ia instituir uma competição onde o ganhador seria aquele que mais agredisse e poluísse visualmente o patrimônio arquitetônico. O difícil seria escolher um único vencedor.

Pergunto-me a razão pela qual isso ocorre ou, ainda, por qual razão se chegou a esse ponto. Será porque as sucessivas administrações não querem se indispor com os proprietários dos imóveis ou comerciantes? Será que exigir que se mantenham os prédios intactos em seu esplendor originário faz com que o candidato ou administrador perca votos? Será porque quando do pagamento para a obtenção do alvará de funcionamento já está implícita a ideia de que quem ali se instalar adquire também o direito de fazer o que bem entende, ainda que em detrimento de um patrimônio que é de todos?

Ignoro a resposta. O que sei é que vendo as belas fotos do Erechim de antigamente me entristeço. E me entristeço pois vejo que as lindas avenidas de tempos idos se transformaram num imenso espaço publicitário onde impera o mau gosto, o descaso, a deselegância e a negligência que abraça os interesses individuais e que, literalmente, faz arder os olhos.

Se, no passado, nossas belas ruas e avenidas centrais foram um verdadeiro museu da Art Déco a céu aberto, atualmente deram lugar ao Festival da Lona Espalhafatosa.

Temos, Brasil afora, exemplos de municípios que extirparam a poluição visual de suas realidades, porém, a administração erechinense, na contramão da história, mostra-se indiferente à questão.

 

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